Mais de 4300 pessoas permanecem deslocadas depois das cheias em Díli

As cheias que fizeram pelo menos 32 mortos afectaram mais de 28 mil famílias em todo o território timorense. Há ainda nove pessoas dadas como desaparecidas.

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Ajuda alimentar para as vítimas das cheias e medicamentos para a covid-19 doados pela Nova Zelândia chegam ao aeroporto de Díli ANTONIO DASIPARU/Lusa

Mais de 4300 pessoas continuam deslocadas em sete centros de acolhimento, em Díli, 18 dias depois das cheias que causaram 32 mortos e nove desaparecidos, indica o último balanço do Ministério da Administração Estatal timorense.

As cheias afectaram mais de 28.700 famílias em todo o país, a maior fatia das quais na capital, com perdas de casas, bens pessoais e plantações agrícolas, entre outros, diz o mesmo relatório, ao qual a Lusa teve acesso esta terça-feira.

Os dados actualizados mostram que ficaram destruídas ou danificadas 4546 casas e mais de 2160 hectares de campos de cultivo (especialmente em Manatuto, Bobonaro, Liquiçá e Viqueque), além de 42 estradas, 23 pontes e 29 outras infra-estruturas, incluindo escolas e outros edifícios públicos.

Das perto de 29 mil famílias afectadas, 25.881 vivem no município de Díli (90%) e 2.853 (10%) nos restantes municípios, sendo que das 25.881 famílias afectadas em Díli, 834 (com 4356 pessoas) encontram-se ainda em sete centros de acolhimento.

Nos primeiros dias depois das cheias, o número de deslocados em Díli chegou aos 15.876.

Além dos 32 mortos já confirmados (13 em Díli, sete em Ainaro, quatro em Viqueque, dois cada em Manatuto e Covalima e um cada em Aileu, Baucau, Liquiçá e Oecusse), as autoridades registaram nove desaparecidos, três em Ainaro, três em Manaturo, dois em Díli e um em Bobonaro.

Para recolher toda a informação, as autoridades timorenses prepararam vários inquéritos e até uma aplicação, onde são detalhados dados de estragos de bens familiares, no sector empresarial privado e em infra-estruturas.

Segundo o Ministério da Administração Estatal, foram já feitos 1655 registos de chefes de família, 83 de infra-estruturas em sucos [divisão administrativa] e 12 de estragos no sector privado.

Cristo Rei, Dom Aleixo e Vera Cruz foram as zonas mais afectadas em Díli, de acordo com os dados disponíveis.

O Governo de Timor-Leste indicou que já distribuiu apoios a 5323 famílias das mais de 19 mil afectadas pelas cheias, em Díli.

Além da produção agrícola, as cheias causaram ainda a perda de 832 animais, entre búfalos, vacas, galinhas e cabras, e a perda de vários barcos de pesca.