A primeira super-Lua deste ano é já esta terça-feira

Se o céu não estiver nublado, poderá contemplar-se um luar mais intenso do que o normal. Há quem chame “super-Lua rosa” a esta Lua cheia de Abril. Porquê?

Stonehenge, Inglaterra
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Stonehenge, Inglaterra Reuters/TOBY MELVILLE
York, Maine, EUA
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York, Maine, EUA EPA/CJ GUNTHER
Halle, Bélgica
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Halle, Bélgica Reuters/YVES HERMAN
Joanesburgo, África do Sul
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Joanesburgo, África do Sul EPA/Kim Ludbrook
Escópia, Macedónia do Norte
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Escópia, Macedónia do Norte EPA/GEORGI LICOVSKI
Nova Iorque
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Nova Iorque Reuters/EDUARDO MUNOZ
Buenos Aires, Argentina
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Buenos Aires, Argentina Reuters/AGUSTIN MARCARIAN
Illinois, EUA
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Illinois, EUA EPA/TANNEN MAURY
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York, Maine, EUA EPA/CJ GUNTHER
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Halle, Bélgica Reuters/YVES HERMAN
Roma, Itália
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Roma, Itália EPA/GIUSEPPE LAMI
Istambul, Turquia
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Istambul, Turquia Reuters/MURAD SEZER
Istambul, Turquia
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Istambul, Turquia EPA/SEDAT SUNA
Praga, República Checa
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Praga, República Checa EPA/MARTIN DIVISEK
Santiago de Compostela, Espanha
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Santiago de Compostela, Espanha EPA/Lavandeira jr
Londres, Inglaterra
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Londres, Inglaterra Reuters/HANNAH MCKAY

Prontos para a primeira super-Lua de 2021? Pode ser observada já esta terça-feira. Embora a Lua atinja a fase de Lua cheia na madrugada de terça-feira em Portugal continental, só atingirá o ponto em que ficará mais próxima da Terra às 16h22 desse dia – e é aí que é mesmo considerada uma super-Lua cheia. Como nesse momento não é visível em Portugal, a melhor ocasião para ver o fenómeno será pouco depois das 21h (de Lisboa), após o “nascimento” da Lua. Se o céu não estiver nublado, poder-se-á contemplar um luar mais intenso do que o habitual.

O fenómeno da super-Lua cheia ocorre quando a Lua se encontra simultaneamente em fase de Lua Cheia e a uma distância da Terra inferior a 110% do perigeu, de acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL). O perigeu é​ o ponto da órbita em que o satélite natural se encontra mais próximo da Terra. É que a órbita da Lua (tal como a de planetas) é elíptica, em vez de circular, e não é sempre igual. Se a Lua está a uma distância da Terra de cerca de 384.400 quilómetros, quando há um perigeu lunar fica entre 356 mil e 360 mil quilómetros do nosso planeta.

No seu site, o OAL tem a sinopse do que acontecerá esta terça-feira: às 04h32 (hora de Lisboa) a Lua estará em fase de Lua cheia. Cerca de 12 horas depois (às 16h22), atingirá o perigeu, ficando a 357.378 quilómetros da Terra – torna-se assim oficialmente uma super-Lua. Nesse dia, a Lua nascerá às 21h06. “Nessa altura, a Lua vai parecer maior do que o habitual, não apenas devido à ocorrência da super-Lua, mas também porque está próxima do horizonte e vê-se mais ampliada, o que é apenas uma ilusão de óptica”, refere o OAL. Acrescenta-se ainda que, no dia seguinte (quarta-feira), a Lua nascerá às 22h25 e continuará a parecer maior do que o habitual.   

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Super-lua de 14 de Novembro de 2016 vista da serra do Caramulo Adriano Miranda

Máximo Ferreira, astrónomo e director do Centro Ciência Viva de Constância – Parque de Astronomia, sugere ao PÚBLICO que a melhor ocasião para ver esta super-Lua será mesmo depois das 21h de terça-feira. Como tal, o Centro Ciência Viva de Constância fará uma transmissão em directo na sua página no Facebook a partir das 21h. “Transmitiremos a observação em directo da Lua – aquilo que o telescópio estiver a captar – ou um Power Point que vamos transformar em vídeo”, refere. “Vamos observar a Lua, apontar o telescópio e registar a imagem.”

O astrónomo sugere a quem tiver possibilidade de fotografar a Lua com alguma ampliação também faça esse registo. Depois, pode guardar essas imagens e compará-las com as da próxima super-Lua já em Maio. “Isto só dá para perceber se for feito com alguma ampliação. À vista desarmada não é muito fácil nem temos memória visual de um mês para o outro para depois compararmos as duas super-Luas.” Por fim, poderão comparar-se as duas super-Luas (de Abril e Maio) com as futuras Luas cheias.

Mas quem não tiver equipamento para observar a Lua, o que verá? “Vai notar essencialmente o luar. É mais intenso”, indica Máximo Ferreira. O astrónomo aconselha que se contemple o luar e a maneira como os ambientes à volta estão iluminados. “É como se a Lua fosse um espelho que, estando mais perto, parece maior e reflecte mais a luz do Sol. Isso faz com que o luar seja consideravelmente mais intenso do que nas outras Luas cheias que não estão tão próximas de nós.”

Porquê super-Lua rosa?

Nas notícias dos últimos dias esta Lua tem sido caracterizada como uma “super-Lua rosa”. Máximo Ferreira refere que essa foi uma expressão criada pelos norte-americanos, que depois começou a ser adaptada e difundida noutros territórios. O astrónomo conta que os índios norte-americanos, sobretudo os da costa Leste, atribuíam um nome a todas as Luas cheias do ano – por exemplo, a Lua cheia de Maio era a Lua das flores. “Depois, por volta de 1930, houve um almanaque americano que começou a fazer esta recolha e sabe-se que esta de Abril é a Lua rosa, porque é a época que começam a aparecer umas plantas rastejantes, uma espécie de musgo, [com flores] rosa.” Recentemente, esta expressão foi adaptada a super-Lua que acontecem em Abril.

Portanto, a designação de “super-Lua rosa” não está relacionada com a coloração do nosso satélite natural. “A Lua é sempre branca e alguma coloração que tenha é da nossa atmosfera e não é da Lua”, realça Máximo Ferreira.

A 26 de Maio teremos então a segunda super-Lua de 2021. Essa será mais favorável para observar do que a de Abril, de acordo com o OAL. Nessa super-Lua de Maio, os instantes do perigeu e da Lua cheia estão desfasados 9h25 horas (na de Abril são quase 12 horas). Quando atingir o perigeu, ficará a 357.311 quilómetros da Terra, um pouco mais próxima do que a super-Lua de Abril, que ficará a 357.378 quilómetros. 

Por agora, espera-se que um céu nublado não estrague as observações desta terça-feira.