Covid-19: UE está a organizar o envio urgente de medicamentos e oxigénio para a Índia

À beira de atingir 17 milhões de casos, a Índia está a viver um momento crítico, com sobrecarga dos hospitais nas regiões mais afectadas e escassez de material médico para o tratamento da covid-19.

Foto
Paciente de um hospital de Nova Deli, infectado com o vírus SARS-CoV-2 Reuters/DANISH SIDDIQUI

A União Europeia está a organizar o envio urgente de medicamentos e oxigénio para a Índia, que tem vindo a bater recordes de mortes e contágios durante quatro dias consecutivos, anunciou este domingo a Comissão Europeia.

“A situação epidemiológica na Índia está a alarmar-nos. Estamos prontos a ajudar. A União Europeia está a reunir recursos para responder rapidamente ao pedido de assistência através do Mecanismo Europeu de Protecção Civil”, escreveu no Twitter a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O comissário para a Gestão de Crises, Janez Lenarcic, afirmou que o Centro Europeu de Coordenação de Resposta de Emergência “já está a coordenar os países da UE que estão prontos para enviar rapidamente medicamentos e oxigénio, urgentemente necessários” para o país.

“A União Europeia fará todos os possíveis para mobilizar assistência para apoiar o povo da Índia”, acrescentou o comissário, adiantando que a Índia solicitou ajuda aos países europeus.

Os Estados Unidos também vão enviar ajuda. “Os nossos corações estão com o povo indiano no meio deste horrível surto de covid-19. Estamos a trabalhar em estreita colaboração com os nossos parceiros no Governo indiano e vamos rapidamente enviar apoio adicional ao povo da Índia e aos heróicos profissionais de saúde”, disse o secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, no Twitter.

Com 346.786 novos casos confirmados nas últimas 24 horas pelo Ministério da Saúde, a Índia tem os piores dados sobre a propagação da doença no mundo, ultrapassando os Estados Unidos, que registaram 62.399 casos novos nas últimas 24 horas e o Brasil, com 69.105 novos casos.

Após várias semanas de “profunda deterioração” da situação pandémica, o país asiático passou de uma média de 300 mortes por dia para as 2.767 atingidas este domingo em apenas quatro semanas, o pior número até agora.
No total, já foram registadas 192.311 mortes pelo novo coronavírus na Índia.

À beira de atingir 17 milhões de casos detectados, a Índia está a viver um momento crítico, com sobrecarga das unidades de saúde nas regiões mais afectadas e escassez de material médico.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pediu este domingo a todos os cidadãos que tomem a vacina contra a covid-19 e que mantenham todos os cuidados, dizendo ainda que uma “tempestade” de infecções abalou o país.

“Estávamos confiantes, o nosso ânimo melhorou depois de enfrentarmos com sucesso a primeira vaga, mas esta tempestade abalou a nação”, disse Modi num discurso transmitido pela rádio.

O Governo de Modi tem enfrentado críticas por ter aligeirado as medidas de contenção, permitindo que grandes reuniões religiosas e políticas ocorressem quando os casos diários na Índia desceram para cerca de 10 mil por dia.

Segundo reporta a Associated Press, os cemitérios da capital indiana, Nova Deli, estão a ficar sem espaço para acolher corpos de doentes com covid-19. No centro da cidade de Bhopal, alguns crematórios aumentaram a capacidade de cremar corpos para mais de 50 piras funerárias. Mesmo assim, dizem as autoridades, os familiares ainda têm de esperar horas por uma vaga.

No crematório Bhadbhada Vishram Ghat, os trabalhadores dizem que cremaram mais de 110 pessoas no sábado, mas os números do governo local da cidade com 1,8 milhões de habitantes dizem que morreram apenas dez pessoas. “O vírus está a engolir as pessoas de nossa cidade como um monstro”, disse Mamtesh Sharma, uma responsável da autoridade local.

Sugerir correcção
Comentar