Liderança em teste de stress

Depois de três empates nos últimos quatro jogos, Sporting defende o primeiro lugar frente a um Sp. Braga com os olhos no pódio.

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Nuno Santos contra Ricardo Esgaio no Sporting-Sp. Braga da final da Taça da Liga REUTERS/Pedro Nunes

No início do mês, a liderança do Sporting parecia inexpugnável e à prova de assalto. Dez pontos para gerir no último terço do campeonato pareciam suficientes (e ainda podem ser) para deixar a concorrência desmoralizada, mas três empates nos últimos quatro jogos cortaram essa vantagem a menos de metade (quatro pontos) e, de repente, a seis jornadas do final, a corrida pelo título está completamente em aberto. E neste domingo (20h, SPTV1), o primeiro lugar que está na posse dos “leões” desde a sexta jornada terá um enorme teste de stress na Pedreira, frente a um Sp. Braga com os olhos no pódio.

Mesmo sendo a única equipa ainda invencível do campeonato, a verdade é que o Sporting tem-se mostrado vulnerável nesta última fase do campeonato, ao mesmo tempo que o FC Porto, o principal concorrente na luta pelo título, tem sido implacável com uma série de sete vitórias consecutivas – o empate no “clássico” frente aos “leões” foi o último jogo em que perdeu pontos. Cada jogo tem sido um sofrimento para a jovem equipa de Rúben Amorim, sempre com enormes dificuldades em marcar o primeiro golo e nem sempre competente a defender vantagens, mas sempre competente o suficiente para ainda não ter perdido, como aconteceu na quarta-feira frente à Belenenses SAD.

O Sp. Braga já não precisa de pedir por favor para se intrometer na luta pelos primeiros lugares no futebol português e já só lhe falta dar o passo final e ser campeão. Isso dificilmente irá acontecer nesta época, mas a equipa minhota tem aspirações legítimas a um lugar no pódio, algo que lhe daria acesso aos milhões da Liga dos Campeões – o Benfica está a apenas dois pontos. Mas, tal como aconteceu com o Sporting, a equipa de Carlos Carvalhal tem sofrido com alguma irregularidade de resultados, com apenas duas vitórias nos últimos seis jogos (mais três empates e uma derrota, precisamente com os “encarnados”).

O “clássico” de Paulinho

Há várias histórias cruzadas no jogo deste domingo. Carvalhal foi treinador do Sporting como substituto de Paulo Bento no decorrer de 2009-10, Amorim lançou-se como treinador de topo no banco dos minhotos durante 13 jogos a meio da época passada, motivando Frederico Varandas a pagar mais de dez milhões de euros para o ter em Alvalade. E esta “ousadia” dos “leões”, mais os avanços e recuos no acordo de pagamento entre os dois clubes, tem motivado alguma animosidade entre cúpulas, o que dá sempre um picante extra a estes confrontos.

Este será ainda o primeiro jogo em que Paulinho irá defrontar aquela que foi a sua equipa até Dezembro do ano passado, antes de o Sporting fazer dele o jogador mais caro da sua história (16 milhões, mais a cedência de Borja e o empréstimo de Sporar, que não pode jogar). O avançado nascido em Barcelos teve três épocas e meia de grande nível em Braga (63 golos marcados) e chegou à selecção nacional, mas ainda não parece ser um encaixe perfeito na equipa de Rúben Amorim – ainda só marcou um golo em oito presenças.

Amorim, que tanto o desejou, rejeita que os problemas da equipa estejam associados à introdução de Paulinho no “onze”. “É o melhor avançado do campeonato português e continua a ser. A meu ver, está a fazer bem o trabalho. Estofo? Tem estofo. Ele veio do Santa Maria e agora é internacional português”, referiu o técnico “leonino”. E como olha Carvalhal para o rendimento de Paulinho nos “leões”? “Essa é uma questão para o treinador do Sporting. No mercado de Janeiro houve uma oportunidade para vender o jogador e compreendi a situação”, limitou-se a dizer o técnico dos bracarenses.

Este será o terceiro confronto da temporada entre Sporting e Sp. Braga – os “leões” ganharam os dois primeiros, 2-0 no campeonato e 1-0 na final da Taça da Liga. Amorim está avisado para as qualidades de “uma excelente equipa que ainda está na luta, e que joga num sistema que encaixa” no do Sporting. Carvalhal olha para os “leões” como a “equipa mais difícil do campeonato”, que “tem debilidades, como todas, mas tem muitos mais pontos fortes”.