Mais de 500 milhões de euros em bolsas dados a 209 cientistas na Europa

Neste concurso do Conselho Europeu de Investigação de bolsas avançadas, não houve investigadores de instituições portuguesas distinguidos.

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Sandra Ribeiro

Ao todo, 209 cientistas na Europa vão receber 507 milhões de euros em bolsas avançadas do Conselho Europeu de Investigação (ERC, na sigla em inglês). Nesta edição, não há investigadores de instituições portuguesas ou com nacionalidade portuguesa a trabalhar no estrangeiro a ser premiados.

Neste concurso foram feitas 2678 propostas, mas apenas 209 acabaram por ser premiadas. As bolsas foram atribuídas a investigadores de 25 nacionalidades a fazer investigação em 14 países membros da União Europeia ou de países associados. O Reino Unido foi quem recebeu mais bolsas (51), seguido da Alemanha (40), França (22) e Países Baixos (17).

De todas as subvenções, 23% foram para mulheres, algo que tem vindo a aumentar nos últimos anos. Num comunicado sobre estas bolsas refere-se que em 2014 foram atribuídas 10% das bolsas avançadas a mulheres e em 2020 já são mais de 20%. 

Entre as distinções, estão projectos que procuram ligações entre a obesidade e o cancro do pâncreas, ameaças de vírus na vida selvagem, a criação de chips que funcionam como o cérebro humano, ou novas formas de os arquitectos desenharem os edifícios do futuro.

Jean-Pierre Bourguignon, presidente do ERC, destaca que apenas 8% dos candidatos tiveram uma bolsa. “Muitos investigadores excepcionais com ideias inovadoras ultrapassaram o limite da excelência, mas ficaram de fora devido a restrições orçamentais – outra motivação para que a nível nacional ou regional se apoie os seus óptimos projectos.”

As bolsas avançadas do ERC apoiam cientistas numa fase da sua carreira que já são líderes de investigação bem consolidados e com um histórico de investigações reconhecido. Normalmente, são atribuídos até 2,5 milhões de euros a cada projecto. Este foi o último concurso do programa europeu de financiamento de investigação cientifica, o Horizonte 2020. Agora, segue-se o programa Horizonte Europa, com um orçamento previsto de 95,5 mil milhões de euros, a aplicar entre 2021 e 2027.

Embora nesta edição não tenha vindo nenhuma bolsa avançada para Portugal, desde a criação do ERC já foram atribuídas a cientistas a trabalhar no país 16 dessas bolsas no total de 37,2 milhões de euros, de acordo com o gabinete de imprensa do ERC.