Islândia

Fotografar um vulcão em erupção todos os dias, durante um mês

Um mês depois do início da erupção do vulcão islandês em Fagradalsfjall, ainda há quem o fotografe. Thrainn Kolbeinsson é uma dessas pessoas. O fotógrafo descreve um cenário “hipnotizante”, capaz de passar do frio ao calor intenso “numa questão de segundos”.

© Thrainn Kolbeinssonc
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© Thrainn Kolbeinssonc

“A terra abriu-se de repente e o céu nocturno ficou vermelho”: é assim que o fotógrafo islandês Thrainn Kolbeinsson descreve o momento em que o até então adormecido vulcão em Fagradalsfjall, no sudoeste da Islândia, perto de Reiquejavique despertou após 900 anos. Segundos depois, o calor, o odor intenso a enxofre, o desabar das paredes e a explosão de lava quente iluminava toda a paisagem cinzenta. O cenário digno de Mordor, um território vulcânico criado por J.R.R. Tolkien​, autor da saga O Senhor dos Anéis, tornava-se real. No dia seguinte, a poucos metros da borda da lava, Thrainn assistia a tudo, observando cada momento através da lente da máquina fotográfica.

O que poderia ser catalogado como aterrorizante transformou-se numa experiência “hipnotizante”, onde a violência da explosão inicial deu lugar “aos suaves fluxos de lava incandescente”, que rapidamente se transformam em “peças de arte frias e sólidas”. “Provavelmente não deveria ser uma surpresa, mas ainda assim é uma experiência muito especial passar do frio tremendo até ao calor intenso numa questão de segundos”, escreve na página de Instagram.

Não em segundos, mas entre dez a 20 dias, a beleza natural do fenómeno conduziu a paisagem a uma mudança “lenta e segura”. A lava continua a escorrer do cone e a cobrir o solo. Depois, uma nova terra que se começa a formar e uma área que nunca mais será igual. “Será interessante ver o resultado final”, afirma.

É precisamente em busca desse resultado final que, desde 23 de Março, data em que entrou em actividade, Thrainn, as máquinas fotográficas e o drone — que até já derreteu numa das extremidades — têm sido presença assídua no local. “Capturá-lo de cima tem sido uma experiência incrível e uma curva de aprendizagem íngreme”, refere no site. Na grande maioria das vezes, e ainda que o corpo discorde, fá-lo durante a noite — altura em que a lava se torna mais viva “e o seu poder se torna realmente evidente”. A “família”, como lhe chama, tem crescido a olhos vistos e já conta com seis novas fissuras. “É estranho ter uma sensação de calma neste lugar, testemunhando estes elementos e poderes contrastantes da natureza a jogar em conjunto mesmo à minha frente. Poderia assistir a isto durante dias.”

Texto editado por Ana Maria Henriques

© Thrainn Kolbeinssonc
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