Polícia mata adolescente negra no Ohio minutos antes do veredicto de Derek Chauvin

Segundo as autoridades, a jovem dirigia-se a outras duas raparigas com uma faca e de forma ameaçadora. O agente que disparou foi posto em licença administrativa enquanto decorre uma investigação independente.

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Hazel Bryant, tia da vítima, depois de saber da morte da sobrinha GAELEN MORSE/Reuters

Uma adolescente negra foi baleada quatro vezes por um polícia, em Columbus, no estado norte-americano do Ohio, depois de ter ameaçado duas raparigas com uma faca, segundo as autoridades. O caso aconteceu na terça-feira, 20 minutos antes do anúncio do veredicto no julgamento do ex-polícia que matou o afro-americano George Floyd, e motivou protestos nas ruas.

O alerta foi dado pouco depois das 16h30 (hora local, 21h30 em Portugal continental) de terça-feira, quando a polícia recebeu uma chamada de emergência sobre uma tentativa de esfaqueamento, de acordo com o chefe interino da Polícia de Columbus, Michael Woods. Numa conferência de imprensa, o mesmo responsável disse que a vítima estava a ameaçar duas outras jovens com uma faca.

As imagens das câmaras dos agentes, divulgadas horas depois do caso, mostram a adolescente a dirigir-se a duas raparigas e um polícia a disparar quatro tiros. Com a jovem já imóvel no chão, avistava-se uma faca ao seu lado.

O nome do polícia que apertou o gatilho ainda não foi divulgado, mas, segundo as autoridades policiais, o agente foi posto em licença administrativa enquanto decorre uma investigação independente, a realizar pelo Departamento de Investigação Criminal do Ohio, segundo o jornal Columbus Dispatch.

“Nós temos conhecimento, com base nas imagens, de que o polícia agiu para proteger outras jovens da nossa comunidade”, disse o presidente da câmara da cidade, Andrew Ginther, citado pelo Washington Post. “Mas uma família está de luto”, acrescentou.

Uma porta-voz dos serviços de protecção de menores do condado de Franklin disse que a vítima foi identificada como Ma’Khia Bryant, de 16 anos, que vivia numa casa de acolhimento.

Hazel Bryant, que se identificou como tia da vítima, confirmou ao jornal que a sobrinha estava numa casa de acolhimento, onde se terá envolvido num conflito com outra pessoa. Bryant também confirmou que a jovem tinha uma faca, mas disse que Ma’Khia Bryant a tinha largado antes de ser baleada.

O caso motivou residentes e manifestantes a protestarem perto da cena do tiroteio, exigindo respostas aos polícias que vigiavam o perímetro. Durante a noite, vários manifestantes protestaram nas ruas da cidade, com bandeiras e cartazes do Black Lives Matter, gritando “No justice, no peace”.

Com a tensão em torno do julgamento da morte de George Floyd, muitos líderes políticos, incluindo o Presidente norte-americano, Joe Biden, enfatizaram a necessidade de reformas mais profundas na polícia e de uma maior confiança entre as autoridades policiais e as comunidades.

Um dos advogados da família de Floyd, Ben Crump, manifestou-se no Twitter, lamentando que, enquanto se dava um suspirou colectivo de alívio, “em Columbus sentiu-se a dor de outro tiroteio policial”.

Segundo o Washington Post, a morte da jovem trouxe à memória a morte de Casey Goodson Junior, um jovem negro que estava a entrar em sua casa em Columbus quando foi atingido pela polícia, numa indicação de que pouco mudou em Columbus com o julgamento de Chauvin.

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