Costa diz que o PS é “muito mais do que as lideranças circunstanciais”

Socialistas celebraram 48.º aniversário do PS com Costa e César a usarem palavras que podem ser lidas com alusões a Sócrates.

partidos-politicos,politica,antonio-costa,eleicoes,jose-socrates,ps,
Fotogaleria
PS prestou homenagem a Jorge Coelho
partidos-politicos,politica,antonio-costa,eleicoes,jose-socrates,ps,
Fotogaleria
LUSA/ANTÓNIO COTRIM

António Costa homenageou nesta segunda-feira os autarcas socialistas, em especial os que foram eleitos nas primeiras eleições locais em democracia, em 1976, e afirmou que o PS é muito mais do que as “lideranças circunstanciais que em cada momento fazem a vida” do partido.

Nas comemorações dos 48 anos do PS, que decorreram no Teatro Capitólio, em Lisboa, o secretário-geral do partido afirmou que a vida do PS “é feita diariamente, não pelos seus secretários-gerais, mas pelos milhares de militantes, centenas de autarcas, dezenas de governantes, centenas de deputados da Assembleia da República e das assembleias regionais”.

Com Ferro Rodrigues presente, António Costa quis, “na pessoa” do ex-líder, “prestar homenagem a todos” os que o antecederam “na liderança do PS, desde o fundador Mário Soares até António José Seguro, que o antecedeu. 

O secretário-geral do PS começou por saudar os fundadores do partido, mas, em ano de eleições autárquicas, rapidamente se virou para o poder local, lembrando que entre as “grandes mudanças que marcam o Portugal democrático ainda hoje” está “o poder local democrático”.

E a primeira bandeira levantada foi a da descentralização. “Quando o PS se bate a todos os níveis pela descentralização para as câmaras e para as juntas de freguesia, no fundo o que estamos a dizer é que o poder tem de estar cada vez mais próximo das populações, mais próximo dos cidadãos. O poder tem de ser exercido pelos cidadãos na sua terra e na sua região”, acrescentou numa sessão comemorativa que se iniciou com uma homenagem a Jorge Coelho, recentemente falecido.

O secretário-geral socialista diz que o partido vive um daqueles momentos “em que o slogan que acompanha o partido – quanto mais a luta aquece, mais força tem o PS – infelizmente tem de novo actualidade”, enfrentando “um inimigo que não tem rosto”.

Um combate à pandemia que, afirmou, é um trabalho que cabe aos socialistas que estão no Governo, “mas também aos socialistas que estão nas autarquias” e rapidamente chegou aos milhões de euros de ajuda que vão chegar a Portugal. “Mas o que são esses milhões? São simplesmente a ferramenta, a matéria-prima de que precisamos para investir na melhoria na qualidade de vida do nosso país.”

Costa garantiu que, com a “colaboração” dos autarcas”, esses milhões vão garantir “uma melhoria da qualidade dos serviços de saúde públicos”, que vai permitir que “cada centro de saúde tenha os meios de diagnóstico que hoje não existem e que obrigam as pessoas a ir aos hospitais ou pagar aos privados”. “Os centros de saúde vão passar a ter os meios básicos de diagnóstico”, assegurou.

Milhões que vão também “assegurar habitação digna para as mais de 26 mil famílias que hoje ainda não a têm”, garantiu. “Queremos celebrar os 50 anos do 25 de Abril garantindo que não haverá ninguém em Portugal sem habitação digna”, acrescentou. Costa afirmou ainda que é também com os autarcas que vai desenvolver as políticas para o interior. 

A sessão foi aberta pelo presidente do PS, Carlos César, que enalteceu o combate do partido pela democracia e contra a corrupção, admitindo, porém, que existiram “desvios e erros”. “Sem iludir os desvios às melhores práticas, os erros ou omissões que num ou noutro momento da nossa história aconteceram, podemos dizer que estivemos nos impulsos da modernização essenciais e nos grandes avanços que o país conheceu”, afirmou Carlos César na sessão evocativa.

Uma alusão que pode ser lida como uma referência ao processo Marquês, que tem como principal arguido José Sócrates, embora o nome do ex-primeiro-ministro nunca tenha sido referido.

O presidente do PS destacou os “grandes avanços legislativos no combate pela transparência” e “os avanços no “estatuto da autonomia do Ministério Público” ou na “legislação do combate à corrupção”. “Esse e tantos outros avanços deveram-se à iniciativa ou à aprovação do PS”, acrescentou.