Não deixar ninguém para trás

Importa reconhecer que esta transição climática comporta mudanças exigentes, que vai gerar impactos brutais na vida das pessoas. Se esta transição não for justa, corre o sério risco de não acontecer.

Em 2015 foi alcançado o Acordo de Paris.

O mundo refletiu a sensação de urgência expressada por milhões de cidadãos, colocando assim, finalmente, as questões do clima no topo da agenda.

Os mais jovens foram os primeiros a entender esta urgência.

A União Europeia, com o Pacto Ecológico, deu rapidamente um passo em frente.

Hoje, a opinião pública mostra-se ainda mais sensível em relação às questões climáticas, exigindo, de todos nós, ação. Correspondendo a esta exigência, a UE deverá ser também mais ambiciosa: maior redução de emissões até 2030, para podermos chegar a 2050 com uma economia neutra em carbono.

Importa reconhecer que esta transição climática comporta mudanças exigentes, que vai gerar impactos brutais na vida das pessoas. É desta equação que nasce o Fundo de Transição Justa, desenhado para apoiar trabalhadores, indústrias e regiões afetadas pela descarbonização. A título de exemplo, em Portugal, o processo de encerramento da central termoelétrica de Sines permite-nos perceber o que está em causa.

Se esta transição não for justa, corre o sério risco de não acontecer, como se viu em França com os coletes amarelos. Por isso precisamos de apoiar as famílias de menos recursos, criar respostas sociais sólidas nos territórios afetados e estimular novos investimentos e emprego. Precisamos que os empregos verdes sejam a regra.

Precisamos de requalificar trabalhadores e empresas.

E precisamos de explicar muito bem o que está em causa.

Em síntese, precisamos de uma transição.

Mas terá obrigatoriamente de ser uma transição justa, que não deixe ninguém para trás.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico