Museu do Brexit

Brexiteers e eurocépticos tentam amealhar um milhão de libras para construir o Museu do Brexit. O formato do museu ainda está a ser planeado, mas ficam aqui mais umas sugestões para itens e espaços a integrar esta colecção.

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LUSA/NEIL HALL

Brexiteers e eurocépticos tentam amealhar um milhão de libras (o equivalente a três quilos de morangos apanhados pelo próprio Prince Charles) para construir o Museu do Brexit. A ideia é criar um templo, biblioteca e centro educativo dedicado à saída do Reino Unido da União Europeia, algures longe da capital eurófila. O formato do museu ainda está a ser planeado, mas ficam aqui mais umas sugestões para itens e espaços a integrar esta colecção.

Tal como o Museu de História Natural nos brinda com um esqueleto gigante de uma baleia-azul ou um diplodoco, podíamos começar num parque de estacionamento enorme com o autocarro vermelho da campanha do referendo do Boris Johnson estacionado no meio. A promessa de reinvestimento dos 350 milhões de libras por semana (equivalente à contribuição para Bruxelas) no sistema nacional de saúde, que foi passeada de Sul a Norte do país, contrastará bem com um contador gigante com o número de mortos que os hospitais-esqueleto não conseguiram evitar: 150 mil and counting.

A entrada será grandiosa, em estilo modernista, com paredes de mármore despidas, estilo Centro Cultural de Belém, a simular a secção de citrinos vazia dos supermercados aqui por terras de Sua Majestade. Talvez até se possam instalar umas prateleiras, também vazias, como homenagem às despensas dos emigrantes, agora que os vinhos e chouriços não passam pelas alfândegas.

A zona dedicada à história e futuro do Reino terá uma secção têxtil com a evolução dos diferentes cortes e feitios dos passa-montanhas dos membros do IRA através dos tempos, estando sempre em constante actualização. Sugere-se também uma instalação artística em homenagem à perda de liberdade de movimento, em que um mágico medíocre tenta, sem sucesso, escapar de um colete-de-forças tecido de uma Union Jack. Podíamos também contratar o Banksy para orlar uma alameda com cópias de estátuas de famosos esclavagistas, entre as quais nos possamos manifestar calma e silenciosamente.

No centro de exploração científica ficaria lindamente a última adição às famosas jóias da coroa: uma vacina da AstraZeneca. Servirá também como homenagem ao último avanço científico por aqui feito, uma vez que o investimento em investigação está a ser dizimado. Um parque infantil localizado numa garagem subterrânea, húmida e sem janelas, simularia umas férias bem passadas na Costa del Blackpool.

Não há melhor forma de promover a “reaproximação e reconciliação” como a construção de um museu a celebrar um lado do assunto mais fracturante da política interna. Já se antevêem peregrinações anuais onde 52% dos britânicos irão sacrificar a sua qualidade de vida e direitos dos seus filhos num altar aos pés de uma efígie do Nigel Farage. Em vez de ficarmos por aqui, porque não aproveitamos o balanço e projectamos também o parque de diversões Colonialisneyland?