Apenas 30 pessoas podem ir ao funeral do príncipe Filipe. Quem serão?

Com um funeral real, mas marcado pela pandemia, estas são as 30 pessoas que deverão estar presentes no último adeus ao duque de Edimburgo.

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A imagem de Filipe com o bisneto George, captada em 2015, foi divulgada pelo Palácio de Kensington após a morte do duque Duquesa de Cambridge via Lusa

As exéquias do príncipe Filipe foram planeadas pelo próprio que, diz-se, pretendia que fosse um momento recatado. Ainda assim, o recato para o funeral do príncipe consorte de Isabel II implicava ter na Capela de S. Jorge, em Windsor, em torno de 800 pessoas, incluindo chefes de Estado vindos de todo o globo, mas particularmente dos restantes 52 países da Commonwealth. Haveria depois, além de toda a família alargada, membros do Governo britânico e Parlamento, além das altas patentes militares.

No entanto, a covid-19 parece ter servido para dar a Filipe o que ele realmente desejava: uma discreta cerimónia fúnebre, à qual só poderão comparecer 30 pessoas, ainda que vá ser transmitida pela televisão (uma curiosidade: terá sido o duque a convencer Isabel II a permitir a transmissão televisiva da sua coroação).

Resta saber a lista definitiva dos presentes, mas a imprensa britânica avança com uma provável composição, numa altura em que duas ausências já estão confirmadas: a da mulher do neto Harry, Meghan Markle, que, pelo facto de estar grávida, não terá tido autorização médica para fazer uma viagem de longo curso (de Los Angeles a Londres são mais de dez horas de avião), e do primeiro-ministro Boris Johnson que, devido às restrições impostas, optou por ceder o seu lugar à família.

Além da rainha e dos quatro filhos do casal (Carlos, Ana, André e Eduardo), é expectável que marquem presença a mulher de Carlos, Camilla; o marido de Ana, Timothy Laurence; e a mulher de Eduardo, Sofia. Apesar de André e da ex-mulher Sarah Ferguson serem próximos, a presença da última não é certa já que, diz-se, não estaria entre as pessoas preferidas do falecido príncipe.

Ainda que a duquesa de Iorque não deva marcar presença, as duas filhas, as princesas Beatrice e Eugenie e respectivos maridos (Edoardo Mapelli Mozzi e Jack Brooksbank, respectivamente), deverão comparecer assim como os outros seis netos: William aparecerá sem dúvida com Kate, devido à proximidade desta com o núcleo da família e ao facto de poder vir a ser rainha; enquanto a presença do cônjuge de Zara Tindall, o ex-jogador de râguebi Mike Tindall, estar em dúvida; Harry estará sem Meghan e Peter Phillips, que se divorciou recentemente, também se deverá apresentar sozinho. Os filhos de Eduardo e Sofia, Louise, de 17 anos, e James, de 13, acompanharão os pais.

Os dez bisnetos de Filipe, com idades compreendidas entre os dez anos e as três semanas, não marcarão presença na cerimónia, sendo os restantes dez lugares ocupados muito provavelmente pelos sobrinhos de Isabel II, os filhos da falecida princesa Margarida, David Albert Charles Armstrong-Jones e Sarah Chatto. Depois, poderão ser incluídos os primos, também netos de Jorge V (1865-1936): a princesa Alexandra; o duque e a duquesa de Gloucester; o duque e a duquesa de Kent e o príncipe e a princesa Miguel de Kent.

O secretário pessoal do duque, Archie Miller-Bakewell, que se encontrava ao seu serviço desde 2010 e a quem foi reconhecida uma enorme lealdade, deverá ser o único não familiar presente na cerimónia.

Um funeral terapêutico

A despedida ao duque de Edimburgo, que faria 100 anos no próximo dia 10 de Junho, poderá representar uma oportunidade para que a família transponha o conflito que chegou à praça pública depois da entrevista que Harry e Meghan cederam a Oprah do outro lado do Atlântico. Pelo menos, é essa a convicção dos biógrafos e jornalistas que acompanham a família real.

A autora Penny Junor, que escreveu biografias de Carlos, Diana, William e Harry, acredita que a família “se unirá” por causa da rainha. Já o cardeal Vincent Nichols, chefe da Igreja Católica em Inglaterra e no País de Gales, considerou, em declarações à Times Radio, que “muitas famílias se reúnem e superam a tensão e as relações quebradas no momento de um funeral”. Acrescentando: “Algo muito profundo os une a todos novamente. E isso será verdade para esta família, tenho a certeza.”

Também o ex-primeiro-ministro sir John Major, que foi nomeado como guardião especial dos príncipes William e Harry após a morte de Diana, confessou acalentar o desejo de que o funeral volte a unir a família.

Em Março, numa altura em que o príncipe Filipe se encontrava hospitalizado, foi transmitida uma entrevista de Harry e Meghan a Oprah, em que foram feitas acusações graves à família real, nomeadamente de racismo em relação à duquesa de Sussex e seus descendentes (prontamente refutadas por William). Além disso, Meghan pintou um quadro de Kate que dificilmente William perdoará.

O casal queixou-se ainda do facto de lhes ter sido cortada a segurança, algo que reclamam precisar pelo facto de pertencerem à família, tornando-os alvos apetecíveis. No entanto, os custos com a família real são um tema quente no Reino Unido (e noutros países em que o sistema monárquico subsiste), que nos últimos anos foi apaziguado pelo retorno que a coroa dava graças ao turismo. Com a pandemia e com a consequente quebra do turismo, porém, é expectável que o assunto volte a ser debatido.

A segurança dos duques de Sussex, que inicialmente anunciaram a intenção de viver entre o Reino Unido e outras paragens (o Canadá, onde Isabel II é rainha, foi a primeira escolha), poderia atingir os sete milhões por ano. Actualmente, a residir na Califórnia, EUA, o casal pagará por volta de quatro milhões de dólares anuais pela sua segurança, calculou a Forbes.