Novo C5 X quer o melhor dos mundos no regresso da Citroën aos grandes familiares

O regresso da marca francesa ao segmento D faz-se sem diesel e com um novo formato automóvel que combina requinte com as melhores características dos sedans, das carrinhas e dos SUV. Tudo em um.

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Numa qualquer realidade paralela, talvez se ouvisse: “é um sedan?”, “é um SUV?”, “é uma carrinha?”: “Não, é o novo topo de gama da Citroën – e uma mistura disso tudo”. Brincadeiras à parte, a marca francesa baralha e volta a dar, revelando-se disposta a justificar a audácia pela qual é reconhecida. E, à semelhança do que já acontecera com o menor C4, junta conceitos aparentemente antagónicos, piscando o olho a uns e a outros, com o objectivo de ir buscar clientes aos nichos dos SUV (“Queríamos uma alternativa credível para quem não ficou convencido pelos SUV”, explicou a marca numa mesa-redonda que antecedeu a apresentação), dos apaixonados por sedans e dos que ainda vêem nas carrinhas a funcionalidade de que precisam.

O C5 X – sim, é verdade: o “X” parece ser a letra preferida das marcas de automóveis, o que é facilmente compreensível pela sua leitura como “cross”, de cruzamento – foi revelado mundialmente esta segunda-feira, online, é claro, e trata-se de um reinterpretação apurada do concept CXperience, apresentado pela primeira vez no Salão Automóvel de Paris de 2016 e que já tinha inspirado algumas mexidas no utilitário C3, no facelift do ano passado.

Com 4805mm de comprimento, 1865mm de largura, 1485mm de altura e 2785mm de distância entre eixos, o C5 X posiciona-se no coração do segmento D, dos grandes familiares. E, apesar de ser por fora ligeiramente menor do que os seus congéneres alemães, não lhes fica atrás no que diz respeito a um habitáculo de dimensões generosas, uma mala com volumetria útil de 545 litros, pensado para todos os ocupantes e com o conforto patente no cartão-de-visita da marca. Exemplo disso é a utilização dos bancos Advanced Comfort que, com um acolchoamento especial, tal como num sobrecolchão, oferecem uma sensação que a Citroën compara ao sofá que se tem na sala. Para o condutor, um mimo extra: a posição de condução elevada que tanto alicia a compra de um sport utility vehicle.

Mas o conforto atravessa outras áreas, com a marca a reclamar o feito de ter conseguido criar uma espécie de tapete voador, imune a lombas ou irregularidades várias do piso. Mais ainda na versão híbrida de ligar à corrente, a qual recorre à suspensão activa Citroën Advanced Comfort que, com três modos à escolha do condutor, reforça a eficácia dos batentes hidráulicos progressivos. Resultado: rolamento mais suave e uma maior eficácia na forma como lida com a estrada, que combina muito bem com a imagem requintada de um sedan.

No entanto, isto não significa que a marca não tenha conseguido absorver toda a funcionalidade de uma break, com o C5 X a mostrar-se prático de usar e pensado para dar resposta às pequenas e às grandes exigências do dia-a-dia de uma família. O que, no caso europeu, não dispensa uma bagageira versátil, como é o caso. Para além das já referidas dimensões generosas com a segunda fila de bancos montada, a mala pode crescer até 1640 litros, com o rebatimento dos assentos. Além disso, beneficia de um desenho regular e de um acesso baixo, o que facilita a colocação de objectos pesados ou de grandes dimensões. A abertura eléctrica do portão, com função mãos-livres, surge como a cereja no topo.

Tal como qualquer carrinha, o C5 X chega com diferentes soluções de arrumação, espalhadas por todo o habitáculo, assumindo-se dessa forma como uma verdadeira solução familiar.

Diesel à parte

A aposta da Citroën neste importante modelo faz-se sem diesel, o que, se por um lado parece ser um atrevimento, quando as soluções a gasóleo continuam a ter saída, por outro, é dar um passo que parece ir na direcção certa. Afinal, o cerco às emissões de CO2 em geral e aos motores diesel em particular parece apertar cada vez mais, e são cada vez mais as nações que colocaram metas para o fim do uso daquele combustível.

Isso não significa que não haja alternativa para as empresas adquirirem um carro com benefícios fiscais. Além das mecânicas a gasolina, previsivelmente mais procuradas por particulares, a marca do duplo chevron inclui no menu uma iguaria electrificada, indo assim ao encontro do seu compromisso de oferecer uma opção destas para todos os modelos, seja na forma BEV, para os mais pequenos (caso do C4), ou na configuração de PHEV.

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Ainda não se sabe muito sobre este grupo propulsor (nem sobre nenhum outro…), mas conhece-se o mais importante: a versão de ligar à corrente apresentará uma autonomia exclusivamente eléctrica para mais de 50 quilómetros, o que o coloca entre os modelos capazes de obterem benefícios fiscais. Mais detalhes: surgirá com potência combinada de 225cv e o modo eléctrico funciona até uma velocidade de 135 km/h.

Navio-almirante da tecnologia

É habitualmente o carro mais alto nas gamas a avançar com o que de melhor as marcas têm para oferecer, e o C5 X, com lançamento agendado para o segundo semestre deste ano, não desaponta.

E, além de incluir todas as tecnologias disponíveis da casa parisiense, parte do grupo franco-italo-americano Stellantis, o novo crossover promete estrear novidades, como um head-up display de realidade aumentada, pela primeira vez projectado no vidro do pára-brisas e não assente numa lâmina interior. A cores e de grandes dimensões, a projecção de informações é um “primeiro passo para o mundo da realidade aumentada”, em que o condutor não precisa de desviar o olhar da estrada para obter a informação de que precisa.

No habitáculo, que prima por uma atmosfera serena, sem grandes efeitos visuais ruidosos, o C5 X inaugura um interface de comunicação novo, associado a um ecrã táctil de alta definição de 12’’, com actualizações em tempo real através da “nuvem” e função Mirror Screen sem necessidade de ligar o smartphone, que também poderá ser carregado por indução. O sistema dispõe ainda de reconhecimento de voz natural, eficaz e fácil de utilizar, propondo um assistente pessoal que responde a perguntas e executa comando.

No capítulo da segurança, há um pacote recheado de assistentes à condução, que actuam com base em informações recolhidas por radar, câmaras e sensores. Além disso, chegará com condução semiautónoma de nível 2, incluindo assistente de condução em auto-estrada, que combina o regulador de velocidade adaptativo, com função de paragem e arranque automáticos do motor, e assistente de manutenção na faixa de rodagem.