Johnson & Johnson vai atrasar entrega das vacinas na Europa

Comunicado enviado pela empresa ao PÚBLICO diz que autoridades europeias estão a avaliar casos que levaram à recomendação da suspensão da vacina nos Estados Unidos.

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Reuters/Dado Ruvic

A entrega da vacina da Johnson & Johnson vai ser atrasada na Europa, na sequência da recomendação feita pela agência reguladora do medicamento norte-americana, a FDA, de suspensão da administração da vacina. Esta decisão poderá ter um impacto imediato nos planos de vacinação traçados pelos vários países europeus. Portugal receberia mais de 30 mil vacinas esta semana, não sendo para já clara a dimensão deste atraso. 

Em comunicado enviado ao PÚBLICO, o grupo diz que as autoridades europeias estão a avaliar de perto os casos que motivaram a recomendação. “Estamos a analisar estes casos com as autoridades de saúde europeias. Proactivamente, tomámos a decisão de atrasar a distribuição da nossa vacina na Europa.” 

O grupo explica que a “segurança e bem-estar” das pessoas é a primeira prioridade, defendendo a abertura na comunicação destas informações entre profissionais de saúde e o público. A vacina da Johnson & Johnson é a primeira que apenas requer a toma de uma dose, podendo ainda ser armazenada durante três meses num frigorífico normal, facilitando a logística de armazenamento e distribuição.

Contactado pelo PÚBLICO, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo diz que, para já, ainda não são conhecidas alterações à entrega destas vacinas em Portugal. 

Foram registados seis casos de pessoas que desenvolveram problemas raros de coágulos sanguíneos após serem inoculadas com a vacina, algo que motivou a recomendação da suspensão do medicamento. Já foram administradas 6,8 milhões de doses nos Estados Unidos da vacina desenvolvida pela Janssen, uma subsidiária da Johnson & Johnson. Contam-se ainda outras nove milhões de doses no país em armazenamento à espera de serem utilizadas.

“Por cautela, o CDC e a FDA recomendaram uma suspensão na utilização da nossa vacina”, explica o grupo no comunicado. A EMA também já está a rever os casos de tromboembolismo detectados nos Estados Unidos. 

A Comissão Europeia acordou com a Janssen a compra de 200 milhões de doses em 2021, com uma opção de 200 milhões de doses adicionais. A agenda da taskforce da Direcção-Geral da Saúde apontava a chegada das primeiras 30 mil doses a Portugal esta semana, não tendo sido ainda possível apurar se a primeira tranche deste medicamento chegará ao país na madrugada de quinta-feira. Ainda durante o segundo trimestre deste ano é prevista a chegada ao país de 1,25 milhões de doses, do total de 4,5 milhões de doses desta vacina que o país espera receber ao longo deste ano.

O Governo australiano não vai comprar doses da vacina da Johnson & Johnson, afastando-se das fabricantes cujos fármacos estão sob análise das autoridades de saúde por casos de coágulos sanguíneos. A mesma decisão foi adoptada para a vacina da AstraZeneca, cuja vacinação se encontra suspensa em vários países em pessoas com menos de 60 anos.