O que precisa saber para celebrar (bem) o Dia Internacional do Beijo

A importância de uma rotina diária de higiene oral, do conhecimento dos contactos de risco e dos cuidados acrescidos com a pandemia são alguns dos aspectos a ter em conta no momento em que pensar beijar alguém.

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Em tempos de pandemia há cuidados a ter no momento em que pensar beijar alguém fora do seu meio familiar June Heredia/Unsplash

Há beijos que ficaram na história e não são todos dados por amor. Aliás, são muitos os motivos que podem levar alguém a beijar outrem, há até beijos traiçoeiros como o de Judas a Jesus, denunciando-o a quem o queria prender. Há beijos diplomáticos como o do Papa João Paulo II, que beijava o chão de cada país aonde aterrava. Há beijos que a arte eterniza, como os pintados por Gustav Klimt ou os esculpidos por Rodin. E, claro, existem os beijos cinematográficos, os mais inocentes serão os da Disney, por exemplo, o de A Dama e o Vagabundo.

Seja qual for, nesta terça-feira assinala-se o Dia Internacional do Beijo. A efeméride tem duas datas, por exemplo, no Reino Unido celebra-se a 6 de Julho. Como qualquer outra actividade que dê prazer, o beijo pode promover o bem-estar e aliviar o stress. No entanto, se pensa beijar alguém, deve ter presente alguns factos. O PÚBLICO falou com Rui Morgado, técnico especialista em medicina dentária na CUF, para saber que cuidados a ter quando se pensa em beijar alguém.

Manter uma rotina de higiene oral diária

É de extrema relevância cuidar da boca. Assim, a pessoa deve ter uma rotina de higiene oral diária. Esta deve incluir uma limpeza interdentária, de modo a chegar aos espaços entre os dentes e à linha das gengivas, que pode ser efectuada através do fio dentário e do escovilhão. Depois deve partir para a escovagem. A escovagem deve ocorrer duas a três vezes por dia, de manhã e à noite, e se possível uma a meio do dia. De acordo com o higienista Rui Morgado, muitas pessoas já levam para o trabalho as suas escovas. A pandemia também veio facilitar este processo uma vez que muitos indivíduos estão a trabalhar a partir de casa.

Quanto à pasta a utilizar, esta deve ser fluoretada, de modo a “proteger os dentes das cáries e inibir a proliferação das bactérias”, explica o especialista. Além disso, é determinante mudar de escova de dentes regularmente, uma vez que esta é um veículo para as bactérias, acrescenta.

Não se esqueça de escovar a língua, pode ajudar com o mau hálito. De acordo com o especialista, estar numa relação e ter quem beijar pode servir de incentivo para cuidar melhor da boca, de forma a evitar o mau hálito. Contudo não deve ser por isso que o deve fazer, mas sim por si, por uma questão de “bem-estar pessoal e social”, defende.

O beijo está incluído nos contactos de risco

Qualquer troca de fluidos constitui um contacto de risco na transmissão de patologias. O beijo pode parecer mais inocente, mas não deixa, no entanto, de ser igualmente eficaz na propagação de vírus, bactérias e fungos, os três grandes grupos de microrganismos que podem afectar o ser humano. Como explica Rui Morgado, “desde que tenhamos uma relação em que beijamos a pessoa há sempre um risco”.

Entre as várias doenças passíveis de propagar através de um beijo encontram-se o vírus da influenza, ou seja, da gripe comum, mas também o rinovírus e outros como os que dão origem à varicela, papeira, herpes, além de infecções sexualmente transmissíveis. Mas há uma patologia que recebe até o nome de “doença do beijo”, a mononucleose, causada pelo vírus Epstein-Barr, que se transmite através da saliva e é mais comum entre os jovens e os jovens adultos. Por isso, o especialista alerta para se “evitar beijar o companheiro ou a companheira quando se tem qualquer tipo de patologia associada”. Além disso, recomenda, no geral, como medida preventiva, “evitar tocar na própria boca com os dedos”.

Cuidados acrescidos a ter com a pandemia

No panorama actual, “todo o cuidado dever ser ainda mais redobrado”, reforça Rui Morgado. “Com a pandemia reduzimos os contactos sociais. O próprio cumprimentar tem sido completamente diferente”, constata, acrescentando que se deve manter “todo o cuidado” e “estar alerta”. Afinal, contactos próximos, como os beijos, aumentam fortemente o risco de transmissão do vírus.

No que respeita ao toque, algumas das medidas recomendadas vão no sentido de evitar aproximar os rostos, evitar abraços, beijos e também apertos de mão. Até um simples beijo no topo da cabeça aumenta o risco de propagação, alerta. Assim, se necessária a proximidade física, é melhor optar por tocar os cotovelos ou dar uma palmadinha nas costas ou topo da cabeça.

Rui Morgado sublinha que, independentemente de todas as precauções que a pessoa tomar, haverá sempre algum risco envolvido, pelo que se deve tentar reduzir ao máximo o contacto físico. Por isso, em tempo de pandemia, o beijo destina-se apenas às pessoas que vivem na mesma casa e que não apresentem sintomas associados ao coronavírus, como febre, tosse fora do padrão habitual ou associada a dores de cabeça ou musculares, e enfraquecimento do olfacto ou paladar.


Texto editado por Bárbara Wong