Caparica: não tenham medo da mata

O leitor José Vieira Mendes recomenda um passeio pela zona da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica. Sem medos.

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Um dos grandes privilégios dos lisboetas é poderem desfrutar, a pouco mais de 20km da cidade (ou a 20 minutos de viatura), de uma grande extensão de areia, mar de águas límpidas e ondas que formam umas das melhores praias de Portugal. Praias essas que ainda permanecem meio selvagens e desertas, sobretudo fora de estação.

É o que se passa agora, uma praia que é quase exclusiva só para aqueles que apreciam os pequenos prazeres da vida, como caminhar na areia molhada e rija, e os surfistas, que dançam nas ondas. Porém, nesta bela zona da Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica, lá no alto, há um imenso e maravilhoso bosque de floresta: um local ideal para fazer caminhadas ou percursos de bicicleta todo-o-terreno, que, aliás, podem ser marcados no site natural.pt, para um melhor reconhecimento deste ecossistema.

Agora que o sol e a temperatura que já convidam — no Inverno, em dias de sol, também é maravilhoso — podemos desfrutar por nós próprios, porque todos os caminhos estão indicados e assinalados e ainda não há muita gente por perto. No cimo da arriba existe um vasto areal, dunas e matas, como a mata dos Medos, que fica não muito longe do casario da Charneca da Caparica. É atravessada pela estrada que dá acesso à fileira de boas praias, que começa na do Rei e Princesa e vai por aí fora até à lagoa de Albufeira, passando pela famosa praia 19, onde reinam a liberdade e a descontracção.

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A mata dos Medos, — medos (lê-se médos) aqui significa dunas — foi mandada plantar por D. João V, por isso é também conhecida por Pinhal do Rei, que serve precisamente para fixar as areias sobre a arriba, que avançavam ainda sobre alguns dos campos agrícolas ou pequenas localidades como a Fonte da Telha. Assim, caminhamos por entre os pinheiros-mansos — em determinada altura do ano até dá para apanhar pinhões —, as flores da Primavera e as sabinas-da-praia, uns arbustos que chamam a atenção porque se parecem mais com árvores.

É verdade que toda esta área, devido à sua proximidade com a capital e com uma zona urbana cada vez mais habitada por pessoas que vão e vêm todos os dias, está sujeita ainda a uma grande pressão de visitantes — tenho o privilégio de manter uma velha casa da minha família —, sobretudo durante a época estival, ficando mesmo o vasto cordão de praias e a mata repletos de banhistas e “piqueniqueiros”. Sobre a arriba fóssil e as belas praias da Caparica — que conheço, quase como a palma das minhas mãos, desde muito jovem — falarei noutra oportunidade. Para já desfrutem da beleza e dos caminhos da Mata dos Medos, sem medo e em segurança. 

José Vieira Mendes (texto e fotos)