Jardins do Palácio de Buckingham abrem ao público pela primeira vez - e com direito a piqueniques

É um oásis de vida selvagem no centro de Londres e é também o jardim privado da rainha - e neste Verão qualquer um pode aí estender a toalha e fazer um piquenique. Os jardins do Palácio de Buckingham vão abrir-se a visitas livres pela primeira vez na sua história em Julho e Agosto.

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Royal Collection Trust / John Campbell

Não está normalmente aberto ao público, ainda que os visitantes lhe tenham acesso em Agosto e Setembro já que a saída da visita guiada ao Palácio de Buckingham passa por ele. Em ano ainda marcado pela pandemia, as visitas guiadas ao Palácio de Buckingham serão mais restritas e por isso inovou-se: o jardim não só passa a ser parte integrante das visitas guiadas, como valerá por si só - inclusive em regime livre.

Pela primeira vez, os visitantes poderão deambular pelo jardim da residência oficial da rainha de Inglaterra em Londres e são até convidados a trazer petiscos, cadeiras e mantas - só não poderão beber álcool, fazer churrascos ou jogar à bola. Mas só entre Julho e Setembro. Até lá, podem visitar o jardim nos fins-de-semana de Abril e Maio em visitas guiadas aos 16 hectares do parque privado bem no centro da capital inglesa - para assistir ao “nascimento” da Primavera, ao qual sobejam elogios: “prados cobertos de prímulas e campânulas, camélias floridas, magnólias, arbustos de azáleas”.

O actual desenho do parque data de 1820, quando o rei Jorge IV transformou a antiga Buckingham House em palácio e mandou refazer os jardins. Tornou-se um reduto de vida selvagem bem no coração da capital, entre mais de mil árvores - incluindo 98 plátanos, 85 espécies diferentes de carvalhos e 40 tipos de amoreiras (incluindo uma que data do reinado de James I, séculos XVI-XVII, e que desde 2000 constituem a National Collection of Mulberries) -, 200 variedades de camélias, um roseiral com 25 canteiros de rosas (todos de variedades diferentes, cada um com 60 roseiras) e um lago oitocentista, que já foi casa de um pequeno bando de flamingos, entretanto vítima de uma raposa, e engloba uma cascata e uma pequena ilha-refúgio onde estão cinco colmeias (produzem 160 potes de mel por ano, usado nas cozinhas reais - curiosidade: no jardim também se colhem muitas plantas, como lúcia-lima, bagas de espinheiro, folhas de louro, que são usadas no fabrico do gin do Palácio de Buckingham, do The Royal Collection Trust).

Quando chegar Julho, os visitantes vão poder desfrutar do pequeno oásis de forma autónoma, num percurso de 156 metros de trilhos herbáceos, com passagem pelos plátanos plantados pela rainha Vitória e pelo príncipe Alberto (e que levam os seus nomes) e vistas para a ilha que está implantada no lago de 3,5 hectares alimentado pelo lago Serpentine, no vizinho Hyde Park. Os piqueniques vão ser permitidos nos extensos relvados do parque.

O famoso jardim de rosas, a casa de Verão e o prado de flores silvestres poderão ser vistos nas visitas guiadas que também estarão disponíveis como complemento às visitas ao interior do Palácio de Buckingham. Um porta-voz do Royal Collection Trust afirmou: “Este ano, a tradicional abertura das salas de Estado no Palácio de Buckingham não acontecerá. Prevemos que o distanciamento social ainda marque este Verão e que o número de visitantes em Londres será ainda baixo, devido à incerteza quanto às viagens domésticas e internacionais. Os custos da abertura ao público do palácio nos moldes habituais seriam muito maiores do que o número de visitantes e rentabilidade que poderíamos esperar. Contudo, estamos muito contentes por oferecer este ano, como alternativa, acesso especial ao jardim do Palácio de Buckingham”.

Assim, a visita às salas de Estados do palácio funcionarão em versão reduzida e incluirão também os jardins, entre Maio e Setembro - o acesso “livre” ao jardim limita-se a Julho e Agosto. Os bilhetes podem ser comprados online