Oferta de arrendamento duplicou no primeiro trimestre

O valor das rendas diminuiu 9,4% em Portugal no primeiro trimestre de 2021, com o preço médio de arrendamento a situar-se nos 842 euros.

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Rui Gaudencio

Não são ainda conhecidos dados oficiais sobre o número de imóveis que aumentaram a oferta de arrendamento nas cidades de Lisboa e Porto, sobretudo devido à migração de imóveis que estavam no segmento do alojamento local para o arrendamento de longa duração. Mas os dados recolhidos através da análise às plataformas de promoção imobiliária efectuada por empresas tecnológicas como a Casafari já permitem uma possível aproximação. Entre todos, destaca-se, nos primeiros três meses deste ano, e em comparação com o período homólogo, que a oferta de imóveis para arrendamento mais do que duplicou (subiu 101,1%), o que teve como efeito no preço médio das rendas um recuo de 9,4%.

Num relatório de análise feito aos mercados imobiliários residenciais e não residenciais no primeiro trimestre deste ano, a Casafari demonstra que os preços do imobiliário no segmento residencial continuam a revelar muita resiliência, uma vez que nem com a pandemia a trajectória de crescimento travou. No que diz respeito ao stock disponível para venda, este aumentou 87,8% e o preço médio de venda de imóveis cresceu 17,4%, face ao período homólogo.

Os indicadores do mercado imobiliário mostram que os preços de venda no segmento residencial, durante o primeiro trimestre de 2021, continuam a apresentar um crescimento gradual. Lisboa, Porto e Faro registaram aumentos de 6,2%, 3,6% e 5,2%, respectivamente, face ao trimestre anterior.

A plataforma tecnológica que usa machine learning para analisar os anúncios de quase seis milhões de imóveis de todas as classes de activos, agregados de mais de 9497 fontes distintas e actualizadas em tempo real. Foi assim que detectou que todos os distritos, à excepção de Viseu, que registou uma quebra de 0,88%, assistiram a um aumento dos preços médios no período em análise. O distrito de Braga foi o que registou a maior subida, com um crescimento de 18,6%, seguido de Aveiro, com uma subida de 15,2%. Lisboa, Porto e Faro registaram aumentos de 6,2%, 3,6% e 5,2%, respectivamente, face ao trimestre anterior.

Lisboa continua a ser o distrito com o preço médio de venda mais elevado (353 mil euros) e é também aquele que tem um maior numero de imóveis disponíveis para venda, com o número a disparar 166,6%.

Se o aumento de stock para venda não teve efeitos imediatos nos preços, o mesmo não se pode dizer no caso do arrendamento. O valor das rendas diminuiu 9,4% em Portugal no primeiro trimestre de 2021, com o preço médio de arrendamento a situar-se nos 842 euros. Refira-se que Beja foi o distrito com o maior aumento de rendas (40,4%), enquanto Lisboa viu o preço médio da renda recuar 15,5%.

Numa análise à oferta de arrendamento no distrito de Lisboa, percebe-se que a tipologia T3 foi a que apresentou o maior crescimento (44,9%) e, ainda assim, foi também aquela que apresentou uma variação positiva nos valores de arrendamento cobrados (1,78%). Os preços médios de arrendamento desceram em 11 dos 16 concelhos analisados — a excepção foram os concelhos de Mafra, Torres Vedras, Azambuja, Alenquer, Sobral de Monte Agraço e Arruda dos Vinhos.

No caso do distrito do Porto, e ainda no segmento da oferta de arrendamento, percebe-se que o stock de oferta cresceu sobretudo na tipologia T2 (15,08%). E que nas áreas urbanas as quebras no preço médio de arrendamento atingiram os 19,49% em Matosinhos, 18,6% no Porto e 12,2% em Vila Nova de Gaia.

No segmento não residencial, os dados da Casafari apontam para efeitos também acentuados. As novas tendências impulsionadas pela pandemia, como o teletrabalho, levaram ao aumento da oferta disponível para arrendamento (34,5%), provocando uma descida nos preços dos escritórios de 1,7%. As maiores quebras de preços registaram-se em Faro: o aumento da oferta disponível nos escritórios para venda (12%) e para arrendar (20,8%) traduziu-se numa quebra dos preços de venda de 11,2%.