Direitos humanos

Dar a volta a frases que ouvimos demasiadas vezes, porque “o discurso de ódio não é argumento”

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Quando se dá a volta ao texto, uma frase ofensiva pode tornar-se num grito de guerra, numa reivindicação. "Vai mas é para a tua terra?" Pode ser complementada com: "Aqui não há lugar para o racismo". "Faziam bem se fossem trabalhar"? Com "salários dignos". É o que a European Anti Poverty Network (EAPN) Portugal está a fazer, com a campanha "O Discurso de Ódio não é Argumento", que se insere no âmbito da Semana da Interculturalidade — a sexta edição organizada pela EAPN.

"Começamos a perceber que as questões do discurso de ódio têm vindo a ganhar muito espaço e achamos que seria importante organizar uma campanha contra ele", contextualiza Sandra Araújo, directora executiva da EAPN Portugal. Por isso, convidaram o criativo Miguel Januário para "pegar em algumas narrativas e ideias estereotipadas, frases típicas de discurso de ódio e tentar contra-argumentar com algum sentido de humor". 

Nasceu assim uma campanha para alertar para diferentes tipos de discriminação e desconstruir frases feitas, que está a ser, desde esta terça-feira, amplamente divulgada nas redes sociais com a hashtag #Daravoltaaotexto. O escritor Valter Hugo Mãe, Rosa Monteiro, secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade e Surma são algumas das personalidades que vestiram (literalmente) a camisola da campanha — que também imprimiu as frases em t-shirts. Apesar de não estar previsto inicialmente, vão ser feitas t-shirts para venda. Os interessados devem enviar email para a EAPN (geral@eapn.pt) e indicar qual a frase que pretendem. Todas elas "simples, mas que fazem parte do nosso quotidiano e nos dizem muito". 

Notícia actualizada às 18h07 de 6 de Abril de 2021: foram acrescentadas declarações de Sandra Araújo ao P3.

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