Excesso de açúcar em criança pode significar problemas de memória em adulto, avança estudo

Investigação vem reforçar preocupações já existentes sobre má alimentação e o excesso de açúcar consumido pelos mais novos.

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Um grupo de ratinhos consumiu bebidas açúcaradas, outro grupo apenas água Goncalo Dias

O açúcar e uma dieta não saudável durante a infância e a adolescência podem causar danos na memória a longo prazo, revela um estudo publicado na revista online Translational Psychiatry.

A investigação, liderada por Elaine Y. Hsiao e Scott E. Kanoski, da Universidade da Califórnia,  EUA, mostra a relação entre a microbiota intestinal, ou seja, as bactérias e outros microorganismos que vivem no estômago e nos intestinos, e o desenvolvimento neurocognitivo. Este é um estudo que vem dar força a todas as preocupações já existentes sobre a má alimentação das crianças e a obesidade infantil.

Para chegar a estas conclusões, os investigadores criaram dois grupos de trabalho com ratinhos ainda jovens. Uma parte dos animais foi alimentada com uma bebida que contém quase a mesma quantidade e o tipo de açúcar que os humanos costumam consumir, e o outro grupo bebeu água durante o mesmo período.

Passado cerca de um mês, quando estes animais se tornaram adultos, os autores do estudo analisaram as suas células e estudaram a memória dos dois grupos, encontrando diferenças. No grupo de ratos que consumiu açúcar foi encontrado uma maior quantidade de duas espécies de bactérias: a Parabacteroides distasonis e a Parabacteroides johnsonii. Além disso, os investigadores descobriram que, em comparação com o grupo que só bebeu água, os ratos alimentados com açúcar tinham mais falhas de memória.

Os investigadores perguntaram-se se a presença das duas bactérias poderia ou não condicionar a memória. Por isso, administraram, as bactérias aos animais que tinham bebido apenas água. Mais tarde, aqueles revelaram ter a memória comprometida, tal como os ratinhos que tinham bebido a solução açucarada.

“O consumo de açúcar no início da vida parece prejudicar selectivamente a aprendizagem e a memória do hipocampo”, explica a autora principal do estudo, Emily Noble. Por isso, os investigadores esperam que se verifique uma mudança de hábitos alimentares e que se aposte no aumento da prática de exercício físico, de forma a reverter os danos à memória causados ​​pelo consumo elevado de açúcar no início da vida.


Texto editado por Bárbara Wong