Não partilhar comida e encontros rápidos. Como é que a ida à esplanada se pode tornar mais segura?

Ir a uma esplanada não é uma actividade com “risco zero”, mas há algumas coisas que podes fazer para a tornar mais segura. A partir desta segunda-feira, passa a ser possível comer e beber em esplanadas, com um limite de quatro pessoas por mesa.

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Nelson Garrido

A partir desta segunda-feira voltamos às esplanadas — com um limite de quatro pessoas por mesa, os cafés passam a poder servir até às 22h30. Pode parecer um convite ao “cafezinho” que está por cumprir desde 2020, mas lembramos: o vírus ainda anda por aí e todo o cuidado é pouco.

É verdade que encontros ao ar livre são mais seguros do que dentro de portas, mas ainda não é totalmente seguro voltar a socializar. Apesar disso, e sabendo que a tentação é grande, o P3 elencou um conjunto de dicas que podem tornar os teus encontros na esplanada mais seguros.

Usa máscara sempre que não estiveres a comer ou a beber

Usa máscara sempre que não estiveres a comer nem a beber. É a maneira mais eficaz de te protegeres e protegeres aos outros. “Nunca devemos retirar as máscaras, mas supondo que estamos numa esplanada, só as devemos retirar estritamente no momento de comer ou beber”, explica Carla Nunes, directora da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa.

Não partilhes comida nem utensílios… E cuidado com o álcool

“Não mexer nas mesmas coisas, não picar do mesmo prato, não usar o mesmo garfo… Por exemplo, ao tirar a fatia de pão do mesmo cesto, tocamos no espaço dos outros”, ilustra Carla Nunes. É importante que não exista esse tipo de partilha, porque aumenta o risco de contágio.

E tem cuidado com o consumo de álcool: além das desvantagens para a saúde que já são conhecidas, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças norte-americano alerta para o perigo de desleixo quanto às medidas de segurança contra a covid-19.

Encontra-te apenas com um amigo (ou com o menor número possível de pessoas)

É normal que tenhas saudades do teu grupo de amigos, mas o grande reencontro ainda vai ter de esperar. O conselho vem da Universidade de Maryland. É melhor fazer um encontro com uma única pessoa do que com um grupo grande. Há um duplo objectivo com este conselho: limitas o contacto de risco a apenas uma pessoa e é provável que o teu encontro acabe por ser mais curto do que seria com um grupo maior de pessoas — e o tempo de exposição é importante na avaliação do risco.

No entender de Carla Nunes é importante também manter a mesma bolha social. Isto é, tentar que os encontros sejam sempre com as mesmas pessoas, em espaços seguros: “Não pode ser com toda a gente ao mesmo tempo”, vinca.

Limita ao máximo o tempo que estás com outras pessoas e escolhe bem o horário

Deves escolher bem o horário da tua visita, isto é, tenta ir nas horas em que sabes que a esplanada costuma estar mais vazia. E não te demores: quanto mais rápido for o encontro, mais seguro é.

Mantém a distância

Já é um clássico: a distância física é um dos aliados mais eficazes contra a covid-19. O número de pessoas na mesma mesa está limitado a quatro para aumentar o mais possível o espaço entre as pessoas na mesma mesa. Mas também é importante manter a distância em relação aos grupos de pessoas das outras mesas da esplanada, que deve ser de pelo menos dois metros, mas de preferência mais.

Cuidado com o volume!

“Quando cantamos e gritamos, respiramos com mais força e expelimos mais ar. Por isso é importante não gritar, não cantar, não projectar a voz”, explica Carla Nunes. As pessoas tendem a falar mais alto em restaurantes e bares – mesmo quando estão na esplanada. Por isso, presta atenção ao volume!

Ainda não é altura para aquele encontro do Tinder…

O F.O.D.A ("fear of dating again” ou medo de namorar outra vez) é real, mas não é a isso que nos referimos desta vez. Talvez tenhas prometido ir “tomar aquele café”, mas ainda não é altura para alargar a bolha de contactos. Escolhe bem as pessoas com quem te encontras. Para encontros com pessoas que ainda não conheces bem (e especialmente se não souberes que cuidados têm tido) continuamos a aconselhar as plataformas digitais.

Arranja planos alternativos: a esplanada não é a tua única opção

A tentação da imperial (ou do fino, consoante a geografia) é grande, mas há mais opções para além dos encontros em esplanadas. Uma caminhada ao ar livre é uma opção igualmente válida e possível.

“Ao fazer uma caminhada, as duas pessoas podem estar de máscara e estão em paralelo um em relação ao outro” e não de frente, ilustra Carla Nunes. “Quando estamos numa esplanada, estamos normalmente frente a frente com uma pessoa e a petiscar algo” – sem máscara, o que acarreta maior perigo. Por isso pesa bem todas as opções antes de fazeres planos.

É normal que te sintas ansioso

À preocupação de ficar infectado pode juntar-se o facto de termos reduzido ao máximo os nossos contactos sociais. Estamos há muito tempo sem falar com outras pessoas e fazer actividades em grupo e é normal que te sintas ansioso antes de voltar a estar com outras pessoas – não és o único. Para um regresso mais seguro, segue as sugestões que te deixámos acima.