Janelas partidas e empréstimos por pagar: Extinction Rebellion faz boicote ao Barclays

O banco é um dos principais financiadores de empresas de combustíveis fósseis. O Extinction Rebellion decidiu, por isso, fazer greve de débitos, impostos e hipotecas.

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DR/Simon Holliday

Gail Bradbrook partiu as janelas do Barclays, em Stroud, Inglaterra, para inaugurar uma campanha contra o papel do sector financeiro no agravamento da crise climática. A activista, uma das fundadoras do grupo de desobediência civil ambientalista, disse ao Guardian que é preciso “abanar o sistema que nos está a matar”. “Como as sufragistas disseram, melhor haver janelas partidas do que promessas quebradas.”

Um relatório recente, levado a cabo por um conjunto de organizações não-governamentais, descobriu que os 60 maiores bancos do mundo contribuíram com 3,8 triliões de dólares (cerca de 3,2 biliões de euros) para financiar empresas de combustíveis fósseis desde o Acordo de Paris, em 2015. E o Barclays é o principal entre os bancos europeus.

“Literalmente não sei o que mais fazer”, desabafou a activista do Extinction Rebellion, que tem programados mais protestos para esta semana — que envolvem greves de débitos, impostos e hipotecas. Um grupo de activistas está a recusar-se a pagar um empréstimo de 4 mil libras ao Barclays e decidiu entregar o montante ao grupo de direitos humanos Survival International.

Durante este mês, o Extinction Rebllion está a planear lançar uma greve de impostos, para a qual irão reter cerca de 3,5% dos seus impostos. Esse valor, que os activistas estimam ser o que o governo gasta a “prejudicar o planeta”, vai ser retido por um ano. Se depois desse ano não tiverem sido cumpridas as exigências (que incluem dizer a verdade sobre a crise climática e cancelar “projectos destrutivos”), o dinheiro será doado ao Wilderlands, um projecto inglês que se dedica à natureza.

“Já não é visto como radical ou ridículo dizer que a economia política precisa de mudanças drásticas. Já se tornou numa conversa comum. Acho que quem diz que temos de ter o que temos, porque não há ideias melhores, ou tem os olhos fechados ou quer manter as coisas como estão porque está a fazer a dinheiro”, atirou Gail.

Sobre o protesto, um representante do Barclays disse que o banco “tem feito um compromisso para alinhar o portfólio financeiro com os objectivos do Acordo de Paris, através de objectivos específicos e relatórios transparentes”.