Birmânia: manifestantes pintam mensagens pró-democracia em ovos da Páscoa

Protestos contra a Junta Militar que tomou o poder ao Governo em Fevereiro continuam em várias cidades do país. Repressão já matou mais de 550 pessoas, dizem organizações.

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Ovos decorados com frases e símbolos pró-democracia, exibidos na cidade de Mandalay Reuters

Vários manifestantes na Birmânia pintaram mensagens e slogans pró-democracia em ovos da Páscoa que exibiram este domingo em mais um protesto a nível nacional contra o golpe militar do passado dia 1 de Fevereiro.

Segundo a Reuters, os ovos incluem mensagens como “revolução da Primavera”, “temos de vencer” e “rua MAH” – esta em referência ao chefe da Junta Militar, Min Aung Hlaing, que liderou o golpe contra a líder de facto do país, Aung San Suu Kyi, detida juntamente com outros dirigentes políticos do país asiático.

Num país multiétnico e com vários cultos religiosos, os ovos foram exibidos como um símbolo de união nacional nos protestos de rua e nas acções de desobediência civil que ocorreram em várias cidades da Birmânia e que atraíram milhares de pessoas.

Em Rangum foram também distribuídos pelos vizinhos e utilizados como decoração das portas e janelas das casas.

“Sou budista, mas juntei-me a esta campanha porque é fácil ter acesso a ovos. Demorei quase uma hora a decorar os meus”, conta um manifestante, citado pelo Guardian. “Estou a rezar pela actual situação da Birmânia, para que possa regressar à democracia”.

“Na Páscoa tudo se resume ao futuro e a população da Birmânia tem um grande futuro pela frente numa democracia federal”, afirmou Dr. Sasa, enviado internacional do Governo civil deposto, segundo a Reuters.

Os protestos contra a Junta Militar que tomou o poder no início de Fevereiro – alegando fraude nas eleições de Novembro que deram a vitória à Liga Nacional para a Democracia, de Suu Kyi, e que deixaram o Partido da Solidariedade e do Desenvolvimento da União, ligado ao Exército, com uma representação reduzida na Assembleia da União – têm sido praticamente diários na Birmânia.

Mas os militares, que governaram o país com mão de ferro entre 1962 e 2011, não estão dispostos a devolver o poder aos líderes políticos responsáveis pela transição democrática e só admitem novas eleições daqui a um ano.

Nesse sentido, a repressão exercida pelas forças de segurança sobre os opositores e manifestantes de rua intensificou-se significativamente nas últimas semanas.

Segundo a Associação de Assistência para os Prisioneiros Políticos (AAPP) – um grupo de activistas birmaneses que monitoriza as detenções e as vítimas da repressão –, o número de pessoas que morreram às mãos dos soldados deste o início dos protestos era de 557 no final do dia de sábado. 

A organização Save the Children diz que entre os mortos há pelo menos 43 menores de idade.

A AAPP informa ainda que actualmente há 2658 pessoas detidas pelas autoridades, incluindo quatro mulheres e um homem que foram entrevistados pela cadeia televisiva norte-americana CNN nas ruas de Rangum.