“O maior desafio é não pensar em comida”: o confinamento pode ter aumentado a gravidade dos distúrbios alimentares

O confinamento é “uma situação de risco para qualquer doença psiquiátrica, e as perturbações alimentares não são excepção”. Mas a situação foi dura até para quem já teve alta — o mais difícil foi ter de fazer as pazes com a comida numa altura em que estão desaconselhadas as saídas e os encontros com amigos.

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Camila não se surpreendeu quando lhe chegou o diagnóstico. Tinha apenas 14 anos, mas estava consciente do que se estava a passar com ela: anorexia, doença com a qual vive há cinco anos. Sofia, que se apresenta como uma aluna exemplar “desde o básico”, vive com o mesmo diagnóstico desde os 17. Demorou “muito tempo” a perceber que precisava de ajuda. Valter já era adulto quando tudo aconteceu e, apesar de ter a situação sob controlo, sabe que a anorexia é algo que o “acompanha sempre”. O isolamento imposto pela pandemia foi duro para os três, mas Camila é quem resume o que se passou de forma mais sucinta: “O maior desafio foi manter-me ocupada para não pensar em comida. E ainda não consegui.”