Real Sociedad conquista a Taça favorita do Athletic

Um penálti no início da segunda parte valeu a terceira Taça do Rei à equipa de San Sebastian após uma final inédita. Nas ruas de Bilbau registaram-se confrontos antes do arranque da partida.

A Real Sociedad voltou a festejar uma Taça do Rei na final de Sevilha
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A Real Sociedad voltou a festejar uma Taça do Rei na final de Sevilha LUSA/Julio Munoz
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Rei Felipe VI entrega Taça a Asier Illarramendi Reuters/MARCELO DEL POZO
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Mesmo sem público, houve alguma festa da Real Sociedad nas bancadas LUSA/Julio Munoz
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Adeptos do Athletic encheram as ruas em redor do estádio San Mamés, em Bilbao, sem respeitar regras de distanciamento Reuters/VINCENT WEST

A inédita final da Taça do Rei relativa à temporada passada entre Athletic e Real Sociedad acabou por ser resolvida por um penálti, aos 63’. Mikel Oyarzabal ficará na história como o jogador que marcou o golo que valeu o terceiro triunfo na competição para a equipa de San Sebastian. Uma derrota amarga para o conjunto de Bilbau, que chegava pela 38.ª vez ao jogo decisivo, naquela que é a sua competição de eleição em Espanha. Dentro de duas semanas terá nova oportunidade frente ao Barcelona, na final da prova desta época.

Após longos meses de adiamento, na esperança de levar público ao estádio La Cartuja, em Sevilha, a final da Taça do Rei acabou mesmo por ser disputada este sábado com as bancadas vazias. A pandemia de convid-19 não deu tréguas e o próprio governo do País Basco considerou que “não seria razoável” correr riscos com concentrações de adeptos.

Mas, se não se juntaram no estádio, os adeptos do Athletic acumularam-se nas ruas em redor dos Estádio San Mamés, em Bilbao, ignorando todas as regras de distanciamento social. O cenário de festa rapidamente passou a violência com a intervenção das autoridades. Pelo menos uma jovem acabou por ser ferida por uma garrafa de vidro e a ser transportada para o hospital, segundo revelou a edição online do jornal El País. Várias pessoas foram ainda identificadas e multadas por violarem as regras de saúde pública.

Numa partida inédita que ditou o primeiro derby entre duas equipas bascas na final da Taça do Rei em 94 anos (a primeira fora em 1927, opondo o Real Union e o Arenas de Getxo), a Real Sociedad acabou por ser mais feliz. Na longa caminhada para Sevilha deixou pelo caminho o Becerril, Ceuta, Espanyol, Ossassuna, Real Madrid e Mirandés. Todos eliminados sem necessidade de prolongamento ou decisão por penáltis. A pandemia haveria de adiar o desfecho de uma prova perfeita e sem espinhas.

Ambos os conjuntos bascos procuravam interromper um longo jejum, com mais de três décadas, sem conquistar a competição. Mais longo o do Athletic, que venceu pela ultima vez há 37 anos, na temporada 1983-84, quando bateu o Barcelona, por 1-0, amealhando o 23.º troféu em 38 finais disputadas. Regressaria no ano seguinte ao encontro decisivo na demanda pelo 24.º, mas seria então derrotado pelo Atlético de Madrid, por 2-1.

Mais feliz no embate com os “colchoneros” da capital, foi a Real Sociedade há 34 anos, na época 1986-87, quando conquistara o segundo título nesta competição (em sete presenças na final antes deste jogo), num encontro decidido nas grandes penalidades. Antes, nas meias-finais, afastara precisamente o rival de Bilbau, na última partida entre as duas equipas nesta prova antes da final deste sábado.

A rivalidade entre os dois grandes emblemas bascos da actualidade é centenária. Remonta a 1909, ano da fundação da Real Sociedad - ainda com a designação de Club Ciclista San Sebastián -, quando se defrontaram pela primeira vez, em competições regionais. No ano do nascimento, a Real conquistaria logo a sua primeira Taça do Rei, mas, a superioridade do Athletic (fundado em 1898) no País Basco e no futebol espanhol foi-se paulatinamente acentuando.

Principalmente por culpa de um tal de Rafael Moreno Aranzadi, conhecido no mundo da bola por Pichichi. Um avançado com tão grande apetite pelas redes adversárias, que a sua alcunha continua a ser sinónimo de goleador em Espanha, com direito a estátua no estádio de San Mamés, em Bilbao.

Com Aranzadi, que iria falecer prematuramente em 1922, com apenas 30 anos, vítima de tifo, o Athletic iria arrecadar quatro Taças do Rei (1914, 1915, 1916 e 1921). Troféus que a equipa de Bilbau juntaria aos restantes quatro que já detinha na competição, tendo conquistado as duas primeiras edições oficiais da prova: 1903 e 1904.

Com oito campeonatos e duas Supertaças, que junta às 23 Taças do Rei (superando as 19 do Real Madrid e só atrás do Barcelona, com 30) e duas Supertaças, o Athletic é o grande “gigante” do País Basco. O carismático emblema de Bilbau é também um dos únicos totalistas no campeonato espanhol, a par do Real Madrid e Barcelona, nunca tento sido despromovido aos escalões secundários.

O rico historial do “Golias” basco não foi suficiente para bater o pé à Real Sociedad, que confirmou a boa temporada no campeonato, onde luta pelo último lugar de acesso às competições europeias. O resultado foi o mesmo do primeiro derby da temporada, quando foi vencer a San Mamés para a Liga espanhola. Ao Athletic resta o consolo de ir disputar também a final desta época, já no dia 17 de Abril.