Cantor brasileiro Agnaldo Timóteo morre aos 84 anos vítima de covid-19

Cantor estava internado desde o dia 17 de Março e o seu estado de saúde agravara-se nos últimos dias. É mais uma vítima da covid-19 no mundo das artes. Tinha 84 anos.

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Agnaldo Timóteo fotografado para a capa do disco Obrigado, Cauby (2017) DR

O cantor e compositor brasileiro Agnaldo Timóteo morreu na manhã deste sábado, aos 84 anos de idade, vítima de Covid-19. Internado desde 17 de Março no Hospital Casa São Bernardo, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, o seu estado de saúde tinha-se agravado nos últimos dias. A morte do cantor foi anunciada pela sua assessoria de imprensa, em comunicado citado por vários órgãos de comunicação brasileiros: “Agnaldo Timóteo não resistiu às complicações decorrentes do covid-19 e faleceu hoje às 10:45 horas. Temos a convicção que Timóteo deu o seu melhor para vencer essa batalha e a venceu. Agnaldo Timóteo viverá eternamente em nossos corações!”

Nascido em Cataringa, no interior de Minas Gerais, em 16 de Outubro de 1936, começou a trabalhar aos 16 anos como torneiro-mecânico e foi com essa idade que se apresentou pela primeira vez a cantar, num programa de caloiros. Em Belo Horizonte, para onde se mudou, era conhecido como “Cauby mineiro”, numa referência ao cantor romântico Cauby Peixoto. Foi a cantora Ângela Maria, que ele ouvia com gosto na adolescência, na rádio, que o aconselhou a mudar-se para o Rio de Janeiro. Aí, segundo a Enciclopédia da Música Brasileira (Art editora), “foi garoto de recados, motorista, mandatário burocrático.” Estreou-se em disco em 1964, ainda em 78 rotações, com Sábado no morro e Cruel solidão, sem quaisquer resultados.

Só quando gravou o seu primeiro LP para a Odeon, Surge Um Astro (1965), é que a sua sorte começou a mudar, passando a gravar um LP por ano. O disco de estreia tinha versão de canções estrangeiros, como The house of the rising sun, dos Animals (regravada como A casa do sol nascente) ou Je ne t’aime plus, de Cristophe (traduzida para Não te amo mais). Seguindo a linha dos cantores românticos, Agnaldo só lançou a primeira composição própria em 1975: A galeria do amor. Mas o seu álbum de maior sucesso seria Perdido na Noite, lançado em 1977.

Nunca parou. Continuou a gravar e, por ocasião dos seus 509 anos de carreira, em 2015, lançou em CD e DVD Agnaldo Timóteo 50 Anos na Estrada Asfaltada (Ao Vivo). Em 2017, fazendo jus ao epíteto que lhe haviam posto em Belo Horizonte, gravou o álbum Obrigado, Cauby, em tributo a Cauby Peixoto, que morrera em São Paulo no ano anterior, em 15 de Maio de 2016. No mesmo ano, chegou às salas de cinema o documentário Eu, Pecador, sobre a vida de Agnaldo.

Em 2019, a da pandemia e do actual internamento, infectado com o novo coronavírus, Agnaldo Timóteo sofreu um AVC quando preparava um espectáculo no interior da Bahia. Hospitalizado durante dois meses (59 dias), chegou a ser dado como morto nas redes sociais, “notícia” que foi prontamente desmentida. Ainda recuperou, voltando aos palcos em Dezembro de 2019.