White trash, história de orgulho e preconceito na América

Chamam-lhes hillbillies, rednecks, white trash. Nomadland e Hillbilly Elegy, filmes com nomeações para os Óscares, nasceram de livros que querem tornar visível o silenciado. São memórias, reportagens, ensaios. Numdeles escreve-se: “Os pobres estão sempre connosco”. É um statement.

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“Linda May agarra o volante e observa a aproximação das montanhas através dos seus bifocais com armações cor-de-rosa. O seu cabelo prateado, que lhe cai pelos ombros, é puxado para trás do seu rosto num barrette de plástico. Sai da Foothill Freeway para a Highway 330, também conhecida como City Creek Road. Durante duas milhas, o pavimento corre plano e largo. Em seguida, afina-se para uma serpentina íngreme, com apenas uma faixa em qualquer direcção, iniciando a subida para a Floresta Nacional de San Bernardino.” Linda May é uma avó de 64 anos a guiar um velho Jeep Grand Cherokee Laredo e está em frente à cordilheira sudoeste das montanhas de São Bernardino, Califórnia. “Pela primeira vez o Jeep está a rebocar a casa de Linda: um pequeno reboque amarelo pálido que ela chama The Squeeze Inn”, conta a jornalista Jessica Bruder no primeiro capítulo de Nomadland, o livro sobre os americanos que deixaram de ter casa e vivem sobre rodas. Em carrinhas, caravanas, roulottes, autocarros escolares, uma comunidade itinerante que vive de trabalhos precários, mal pagos e que tem crescido desde a crise de 2008.

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