Polícia italiana recupera pintura de Nicolas Poussin espoliada pelos nazis

Loth avec ses deux filles lui servant à boire pertencia a uma família de judeus quando lhe foi roubada em Poitiers, em 1944.

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Loth avec ses deux filles lui servant à boire DR

A polícia italiana anunciou esta quinta-feira ter recuperado uma pintura do mestre francês Nicolas Poussin (1594-1665), que pertencia a uma família de judeus quando foi espoliada em 1944, em Poitiers, por tropas nazis.

Loth avec ses deux filles lui servant à boire, a obra em causa, é um óleo com 120x150 cm representando uma cena bíblica do Antigo Testamento, exemplo do classicismo daquele mestre do barroco.

Segundo o comunicado da polícia italiana, citado pela AFP, a família proprietária da pintura reclamou a sua devolução logo no final da Segunda Guerra Mundial, e Loth avec ses deux filles lui servant à boire foi incluída, em 1947, na lista dos bens espoliados pelos nazis durante o conflito. Em 2020, os herdeiros da obra, uma suíça de 98 anos e um americano de 65 anos, com o apoio de um advogado local, apresentaram uma denúncia em Itália reclamando a sua devolução.

Loth avec ses deux filles lui servant à boire tinha, entretanto, sido localizada por um especialista holandês que a tinha visto exposta em Maastricht, em 2019, depois de ter sido comprada em França, em 2017, por um antiquário italiano. A pintura terá sido também exibida na Bélgica, num percurso que o comunicado dos “carabinieri” não detalhou. Foi finalmente localizada e apreendida pela polícia italiana na casa de um antiquário perto de Pádua, no nordeste do país.

Nascido numa localidade da Normandia, a 15 de Junho de 1594, Nicolas Poussin é um mestre reconhecido do período clássico francês, e o primeiro a conquistar fama além-fronteiras, muito fruto também da sua vivência em Itália durante largo período, onde se deixou influenciar pela obra de Rafael –, de resto, viria a morrer em Roma, a 19 de Novembro de 1665. Os pastores da Arcádia, O rapto das sabinas e Os Israelitas Recolhendo o Maná no Deserto são algumas das suas telas mais famosas.

A figura de Nicolas Poussin foi evocada por Balzac no seu livro A Obra-prima Desconhecida, que também inspiraria o filme de Jacques Rivette A Bela Impertinente (1991).