Páscoa em Fátima limitada a cerca de três mil pessoas

Celebrações pascais centrar-se-ão na Basílica da Santíssima Trindade, cuja lotação foi reduzida a um terço. Para encurtar distâncias, santuário decidiu transmitir todas as celebrações online .

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Há um ano, a missa pascal na Sé de Lisboa não pôde contar com a presença de fiéis Miguel Manso (arquivo)

A Páscoa deste ano já tem direito a eucaristias com os fiéis presentes, ao contrário do que aconteceu no ano passado, mas celebrar-se-á por todo o país sem direito a procissões nem a visitas pascais, para evitar o perigo de contágios pelo novo coronavírus. Por isso, e porque a suspensão da circulação entre concelhos determinada pelo Governo vigorará até ao dia 5 de Abril, em Fátima, por exemplo, não são esperadas as tradicionais enchentes.

“Para mitigar a distância dos que, querendo, não podem deslocar-se a Fátima, todas as celebrações serão este ano pela primeira vez transmitidas em directo”, adiantou ao PÚBLICO a porta-voz do santuário, Carmo Rodeia, sobre o que considera ser “uma solução de compromisso, que não põe em causa a segurança das pessoas”.

“Muitas pessoas de todo o país costumavam vir a Fátima, por esta altura, bem como muitos espanhóis, em família ou excursões organizadas, mas este ano isso ainda não vai ser possível”, lamentou. 

Para ajudar a garantir o distanciamento entre os presentes, as principais celebrações do tríduo pascal decorrem na Basílica da Santíssima Trindade, cuja lotação de perto de 10 mil lugares estará reduzida a um terço. “O espaço é enorme e haverá sempre uma fila de intervalo a separar os peregrinos”, precisou aquela responsável, para acrescentar que a máscara é obrigatória em todo o recinto, mesmo nos espaços exteriores, e que, no momento da comunhão, os fiéis seguirão percursos pré-determinados, recebendo a hóstia na mão.

“O gesto do lava-pés foi eliminado, tal como em todo o mundo católico, e também foi eliminada a deslocação da assembleia até ao altar para beijar ou ajoelhar diante da cruz”, ainda segundo Carmo Rodeia. Do mesmo modo, “não haverá a tradicional bênção fora da basílica, para evitar a aglomeração de pessoas”.

A GNR continuará, de resto, e como em todo o país, a fazer-se presente nas estradas, fiscalizando a circulação das pessoas, e, garante Carmo Rodeia, “tem sido muito rigorosa”.

Esta quinta-feira, no arranque da celebração do tríduo pascal, um momento central do calendário católico, o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, avisou, durante a homilia da missa crismal a que presidiu, na Sé Catedral de Lisboa, que “a nova normalidade terá certamente de ser mais capaz, e de todos para todos”, porque “o mundo global só sobreviverá assim”.

“No tempo que atravessamos - em que necessidades de toda a ordem se agravaram, com doenças e solidões, com interrupções de trabalho e dificuldades de ensino, em confinamentos tantas vezes precários e sobrelotados - quero reconhecer e agradecer os muitos exemplos de solidariedade de sacerdotes, instituições e comunidades cristãs deram e continuam a dar, juntando-se assim a tudo quanto se tem realizado por parte da sociedade em geral”, disse ainda D. Manuel Clemente.

Desde o dia 15 de Março que a presença dos fiéis nas eucaristias voltou a ser possível, mas a Conferência Episcopal Portuguesa apelou a que, em todas as dioceses, se evitassem expressões de piedade popular susceptíveis de provocarem aglomerações.