A coragem de povoar a terra entre as trincheiras

Num período de paixões exacerbadas, radicalismo ideológico e activistas que acreditavam que a aniquilação violenta de adversários era uma solução política legítima, Aldo Moro foi uma espécie de anti-herói.

“Minha dulcíssima Noretta, depois de um momento de ténue optimismo, somos agora chegados ao momento final. Não é necessário discutir a falta de credibilidade de uma sanção que recai sobre a minha brandura e moderação.” Assim começa a última carta de Aldo Moro a Eleonora, sua mulher, a 5 de Maio de 1978. Moro vivia desde 16 de Março encarcerado pelas Brigadas Vermelhas, faz por esta altura 43 anos. Daí a quatro dias, a 9 de Maio, um “julgamento popular” acabaria por lhe punir, com a morte, a tal “brandura e moderação”.