Do interior às ilhas, há projectos e associações juvenis a dar voz a quem não costuma ser ouvido

Nascidos e criados em vilas e cidades longe do Porto e de Lisboa, jovens criam projectos e associações para dinamizarem a terra natal. Isso traduz-se em números: entre 2011 e 2018, houve um aumento de 732 associações juvenis inscritas no Registo Nacional do Associativismo Jovem. Ainda assim, “cada vez mais se alimentam” as desigualdades entre territórios.

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Da esquerda para a direita: Duarte Mairos, Susana Vasco, Sérgio Godinho, Marcos Albernaz Bicho e Sofia Oliveira

E se, um dia, Figueiró dos Vinhos ficasse despido de gente, “com zero habitantes”? Foi este o cenário que Sérgio Godinho, 26 anos, imaginou em 7 Factos. A distopia pensa o “depois” do despovoamento e tem como personagem um “indivíduo que acorda na Torre da Cadeia” naquela vila. A personagem não sabe quem é, “nem reconhece a paisagem”. Promissor? A história não convenceu “várias editoras”. “Primeiro, não sou um nome conhecido. Mas disseram-me: ‘Não vamos editar este livro porque consideramos que uma história sobre Figueiró não vai ter perspectivas comerciais’.” Propuseram-lhe escrever sobre outra cidade, como o Porto, mas porque haveria de “escrever um livro sobre o despovoamento” centrado num lugar que não o sofre? Acabou por lançá-lo através da Amazon.

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