O fiasco das vacinas na Europa

Estas trapalhadas fazem lembrar a resposta tardia da Europa à crise do euro, com ministros responsáveis a acusarem países de gastarem mal o dinheiro e a tardarem em darem respostas eficazes, fazendo prolongar a crise para além do necessário.

O autêntico fiasco de todo o processo das vacinas contra a covid na Europa já chegou aos Estados Unidos, sendo inclusive assunto de diversas notícias e reportagens na comunicação social, nada abonatórias para as instituições e líderes europeus.

Muitos desses artigos e reportagens não acrescentam nada de novo, limitam-se a preencher páginas de jornais ou tempos de televisões. Quando Paul Krugman emite as suas opiniões, concordando ou não com elas, ou com as suas opções políticas, no mínimo devemos escutá-las e depois formular os nossos comentários.

Numa crónica recente das suas tradicionais escritas para o The New York Times, Paul Krugman, que inicialmente refere uma verdade irrefutável sobre a supremacia do modelo europeu de saúde e segurança social em que ninguém fica sem algum apoio, facto que não acontece nos Estados Unidos, acaba por tecer fortes críticas à gestão de todo o processo de vacinas na Europa.

Imagine-se que em diversos estados os EUA já vacinaram cerca de 35% da população e mais de 90 milhões de pessoas já receberam pelo menos uma dose.

Com confusões atrás de confusões, a Europa vive um autêntico pesadelo criado pelas próprias instituições europeias e governos nacionais. Krugman é de opinião que só a Europa é culpada da falta de vacinas (o que até é mesmo verdade). O preço negociado pela Europa com as farmacêuticas é de tal forma baixo, que as farmacêuticas preferem desviar as vacinas para quem lhes paga mais. Concorde-se ou não, seja moral ou não, esta atitude das farmacêuticas, é o que está a acontecer.

Curioso ou não é que aqueles que tradicionalmente em Portugal se levantam da cama todos os dias para ganhar a vida a fazer barulho e a reclamar de tudo em todo o lado estejam sobre este assunto calados.

O que à partida parecia ser uma excelente iniciativa da Comissão em negociar a compra das vacinas em nome de todos os países, acabou por ser um desastre, que está a causar todos os dias centenas ou milhares de mortos diários em toda a União.

Quando a Alemanha suspendeu a vacina da AstraZeneca, logo de seguida (Portugal incluído) uma série de países seguiram o seu exemplo, com medo de que alguma coisa pudesse correr mal, apesar da vacina estar aprovada pela Agência Europeia do Medicamento.

Estas trapalhadas fazem lembrar a resposta tardia da Europa à crise do euro, com ministros responsáveis a acusarem países de gastarem mal o dinheiro e a tardarem em darem respostas eficazes, fazendo prolongar a crise para além do necessário. Tal como alguém já disse: o projeto europeu continua com sérios problemas e eu acrescento que se deve a falta de políticos com visão. Infelizmente políticos europeus com visão ou já morreram ou estão retirados de funções.

Mas de quem é a culpa? Cá em Portugal costuma-se dizer que a culpa morre solteira, mas neste caso sabe-se de que morre. Infelizmente morre de covid, que é o culpado.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico