Glenn Close, maquilhagem, cabelos e flashbacks

A “elegia hillbilly” de Howard, que tem mais de “hillbilly” do que de “elegia”, é a centésima iteração da “fractura” entre a ruralidade e a urbanidade americanas.

ipsilon,netflix,al-pacino,critica,cinema,culturaipsilon,
Fotogaleria
Glenn Close no sul rural americano
ipsilon,netflix,al-pacino,critica,cinema,culturaipsilon,
Fotogaleria
ipsilon,netflix,al-pacino,critica,cinema,culturaipsilon,
Fotogaleria

Em meados da década passada chegou a haver um lampejo de esperança por Ron Howard, quando estreou Rush, uma supreendentemente justa e vigorosa reconstituição da fórmula 1 dos anos 70. Mas o brilho desvaneceu-se num instante, e ei-lo de novo firmemente incrustado no “género” a que a sua obra é mais fiel, o “pastelão” sisudo e sensaborão a transpirar a vontade de “prestígio” por todos os poros, e capaz de atrair Óscares e similares com a mesma infalibilidade com que uma lâmpada nocturna atrai insectos — afirmação que mais uma vez se consubstancia, Lamento por uma América em Ruínas (Netflix) está nomeado para dois prémios da Academia, os de melhor actriz secundária (Glenn Close) e de melhores “maquilhagem e cabelos”. Se é que faz sentido, no caso, a distinção, porque o papel de Glenn Close (uma velha matrona do sul rural americano) é indissociável da maquilhagem e cabelos, e sem eles não havia personagem (apesar dos esforços maneirentos de Close, que é muito melhor actriz do que este show off mas não resiste à tentação de aproveitar a embalagem académica que Howard lhe proporciona).