Com as escolas fechadas em Itália, uma menina de dez anos levou as aulas para o meio das cabras

Chama-se Fiammetta Melis e faz lembrar uma Heidi moderna. É que, com as escolas fechadas, é entre um rebanho de mais de 350 cabras que a menina liga o portátil, abre os livros e assiste às aulas.

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Massimiliano Melis via Reuters
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Em Caldes, Nordeste de Itália, perto das ruínas de Rocca di Samoclevo, na encosta do monte Vasa, a uma altitude de quase mil metros, o cenário é inusitado. Pelos prados vêem-se centenas de cabras a pastar alegremente. Até que, no meio destas, desponta uma pequena secretária, montada para que Fiammetta Melis não perca o fio à meada do ensino à distância através do portátil.

O insólito acabou por atrair a imprensa, com o italiano La Reppublica a escrever a história da criança, e a agência Reuters a reproduzir as fotografias que ilustram bem o que se conta: o poder de adaptação em tempos de pandemia.

Fiammetta Melis, de 10 anos, está no quarto nível de ensino e frequenta uma escola na localidade de Mezzolombardo, na província de Trento. Mas, face à evolução do número de casos, o Governo italiano voltou a fechar as escolas no início de Março. Para Fiammetta só restou uma solução: equipar-se com o material necessário e seguir atrás do pai rumo às montanhas.

É que, explica o La Reppublica, nem a mãe nem o pai de Fiammetta puderam interromper as suas actividades laborais. A mãe, uma assistente social, está na linha da frente do combate à covid-19 e aos impactes nas comunidades mais fragilizadas; o pai, agricultor, não pode abandonar os animais à sua sorte. Assim, a decisão tornou-se simples para esta família: se Fiammetta não podia ir à escola, tratariam de levar a escola onde quer que ela fosse, no caso para o meio da verde montanha.

“Fiammetta é muito boa na escola e o ambiente montanhoso ensina-lhe a importância da adaptação”, avalia o pai, citado pelo La Reppublica, ao mesmo tempo que adianta que, ali, a criança “consegue seguir as aulas com os professores [recorrendo a um hotspot] e, quando necessário, ajuda com os animais”.

Para a menina, parece só haver vantagens nesta situação. Afinal, tem a oportunidade de estar ao ar livre, algo que valoriza pelo que confessou ao jornal italiano querer fazer em adulta: “Ser guarda-florestal a cavalo — porque os silvicultores estão na natureza, não em escritórios.”

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Massimiliano Melis via Reuters