Governo e oposição venezuelanos chegam a acordo para usar dinheiro congelado no estrangeiro para comprar vacinas

Venezuela conta adquirir 12 milhões de doses na plataforma Covax com dinheiro bloqueado nas suas contas em bancos norte-americanos pela Administração dos EUA

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Reuters/STRINGER

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, conseguiu chegar a acordo com a oposição venezuelana para conseguir que os activos venezuelanos bloqueados no exterior, por causa das sanções contra o Governo, possam ser usados para adquirir vacinas ao abrigo da plataforma Covax, promovida pela Organização Mundial de Saúde para fazer chegar vacinas aos países mais pobres.

Com as verbas libertadas, a Venezuela vai poder adquirir 12 milhões de doses, em princípio, da vacina da AstraZeneca, suficiente para vacinar seis milhões de pessoas.

As condições do acordo foram estabelecidas através de uma Mesa Técnica, composta por membros do Ministério da Saúde, representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), associações médicas venezuelanas e líderes políticos da oposição, de acordo com o El País.

Juan Guaidó, que ainda é reconhecido internacionalmente pelos Estados Unidos e alguns outros países como presidente interino do país, tinha adiantado no final da semana a informação: “Aprovaremos o projecto de acordo para financiar o acesso da Venezuela ao mecanismo Covax para vacinas contra a covid-19

Apesar do acordo, Guaidó não se coibiu, através do Twitter, de acusar Maduro e o seu Governo de politizar o assunto. “A politização que a ditadura pretende dar à administração da vacina deve ser posta de lado, não podem continuar a descriminar e gerar o controlo social através da ajuda necessária aos venezuelanos”.

A oposição afirmou na sexta-feira que vai pedir autorização ao governo norte-americano para descongelar parte dos 342 milhões de dólares que as autoridades dos EUA bloquearam, em 2019, nas contas do Estado venezuelano em bancos norte-americanos. Guaidó e uma comissão da Assembleia Nacional de 2015, a única reconhecida por Washington que não aceitou o resultado das eleições de Dezembro, boicotado por uma parte da oposição.

Este fim-de-semana estava previsto começarem a chegar a Caracas as primeiras doses da encomenda de 10 milhões da vacina Sputnik V que o Governo de Maduro adquiriu à Rússia por 200 milhões. O contrato prevê que as doses cheguem ao longo dos próximos quatro meses. A vacinação deverá começar na quinta-feira, com os trabalhadores do sector da saúde e sectores prioritários.

O Governo renovou as medidas de confinamento por causa de uma segunda onda de casos de covid-19 devido, sobretudo, à chegada da variante brasileira do SARS CoV-2, mais infecciosa. As autoridades de saúde reforçaram o controlo e a insistência na distância social e no uso público de máscaras.