CTT querem aumentar preços dos correios

Pedido de aumento de preço à Anacom tem em conta aquilo que foi “a queda excepcional durante o ano de 2020”, diz o presidente executivo da empresa.

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Sara Jesus Palma

Os CTT estão a preparar um novo pedido à Anacom para aumentar os preços do correio em 2021, anunciou o presidente executivo da empresa, João Bento, em entrevista ao Negócios e à Antena 1.

O responsável adiantou que este segundo pedido de aumento de preço tem em conta aquilo que foi “a queda excepcional durante o ano de 2020”, depois de um primeiro pedido ter sido feito de acordo com as regras anteriores, ainda sem calcular as perdas e sem considerar o prolongamento da do contrato de concessão do serviço público.

Por os CTT serem uma empresa cotada, João Bento não adiantou o valor do aumento requerido ao regulador das comunicações para evitar criar “expectativas que depois podem não ser cumpridas”, mas adiantou que o pedido é “razoável e que, de algum modo, compensava pelo menos razoavelmente” as perdas dos CTT durante o ano da pandemia.

“Nós sabemos qual é o aumento de preço que devíamos ter tido em 2020 para compensar a queda que esperávamos ter. A queda foi ainda maior e sabemos quanto é acumulado daí e quanto é que devíamos ter tido para 2021”, disse o presidente executivo na mesma entrevista.

Esta semana, João Bento tinha já referido que a empresa teve uma queda de 16,5% em 2020. Ao PÚBLICO, afirmou que os CTT querem ser compensados pela decisão do Governo “prolongar unilateralmente” por mais um ano o contrato de concessão de serviço público postal, para além dos “prejuízos” causados pela pandemia de covid-19.

Primeiro, querem ser compensados pelo facto de o Governo ter decidido “prolongar unilateralmente”, até ao final deste ano, um contrato de concessão de serviço público postal “que não faz sentido, não é sustentável, nem economicamente interessante”. 

Sem querer divulgar os números das compensações exigidas num e noutro caso, João Bento sublinhou que a empresa não teve, no ano passado, “os meios suficientes para desempenhar o serviço público” e fê-lo “em condições muito adversas do ponto de vista económico”.