António Oliveira disse “sim” ao PSD para a Câmara de Gaia

Nome do ex-seleccionador nacional foi pensado para disputar as eleições em Gondomar, mas acabou por aceitar ir a Gaia.

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António Oliveira é investidor e um coleccionador de arte PAULO RICCA / PUBLICO

O PSD vai candidatar à presidência da Câmara de Gaia António Oliveira. O nome do antigo seleccionador nacional será anunciado na próxima semana pelo presidente dos sociais-democratas, Rui Rio, no Porto, numa sessão em que serão apresentados mais 23 novos candidatos a câmaras do distrito do Porto e do país. A notícia é avançada este sábado pelo Jornal de Notícias.

O acordo ficou fechado numa reunião entre Rui Rio e António Oliveira, realizada na sexta-feira. Era o passo que faltava para que o PSD fechasse o processo relativamente à escolha do candidato à Câmara de Gaia que foi liderada durante quatro mandatos pelo social-democrata Luís Filipe Menezes, que foi a primeira escolha do partido para aquele concelho.

Na verdade, a primeira abordagem que o PSD fez a António Oliveira foi para a Câmara de Gondomar, mas o ex-treinador e jogador do Futebol Clube do Porto (FCP) não mostrou vontade para concorrer. No entanto, disse estar disponível para colaborar com o partido e, perante essa disponibilidade, o PSD voltou a abordá-lo, mas agora para Gaia, tal como o PÚBLICO escreveu no dia 4 de Março.

“Não basta convidar António Oliveira para ser candidato, é preciso dar-lhe condições para ele fazer um bom resultado”, declarou ao PÚBLICO fonte do PSD, que aplaude a escolha do partido para uma câmara difícil como a de Gaia.

Nascido em Penafiel, no dia 10 de Junho de 1952, António Oliveira ingressou no PSD em 2004. O convite para a Câmara de Gaia abre-lhe a porta para um cargo político pela primeira vez. Apoiante de Rui Rio, o antigo seleccionador nacional tem uma relação de grande proximidade com Manuel Teixeira, um homem da extrema confiança de Rio, de quem, aliás, foi chefe de gabinete na Câmara do Porto.

Investidor imobiliário, António Oliveira é um dos sócios da Títulos e Narrativas, sociedade que adquiriu, em Fevereiro de 2016, o Palacete Pinto Leite, na zona de Cedofeita, onde outrora funcionou o Conservatório de Música do Porto. Vendido em hasta pública (à sexta licitação) por 1,643 milhões de euros, o emblemático edifício do Porto foi comprado pelos empresários e coleccionadores de arte António Oliveira e António Moutinho Cardoso (que foi deputado municipal pelo movimento independente de Rui Moreira) com o propósito de o transformar num ex-líbris cultural da cidade.

O seu último projecto no Porto foi a transformação do antigo edifício do Café A Brasileira, num hotel de seis pisos da marca Pestana, inaugurado em Maio de 2018. O ex-seleccionador participou na corrida à compra do Teatro Sá da Bandeira, no Porto, mas a sua oferta de 3,2 milhões de euros foi superada em 300 mil euros pela proposta da Livraria Lello.

Em 2012, dois anos depois de a Câmara do Porto ter criado o Fundo de Investimento Imobiliário Invesurb para gerir a demolição do Bairro do Aleixo e a consequente urbanização daqueles terrenos, António Oliveira torna-se accionista desse fundo. Nessa altura, o ex-jogador do FCP é escolhido para gerir o Fundo de Investimento, substuíndo o empresário e ex-deputado do PSD, Vítor Raposo.

a autarquia assume a maioria das unidades de participação, após decisão de aumentar o capital do Fundo de Investimento Imobiliário Invesurb, que só conseguiu 2,6 dos seis milhões de euros previstos. 

Figura histórica do FC Porto, António Oliveira é também o maior accionista da SAD portista a título individual e uma figura referenciada sempre que a sucessão de Pinto de Costa se coloca.

O nome de António Oliveira deverá ser aprovado esta segunda-feira pela comissão política distrital do PSD que espera também dar luz verde aos candidatos a Gondomar, Valongo, Lousada, Paços de Ferreira e Felgueiras, cujos processos se encontram em fase final de decisão pelas estruturas concelhias. A distrital já aprovou os candidatos a Baião, Marco de Canaveses, Matosinhos, Paredes e Santo Tirso. 

A escolha do candidato à Câmara do Porto, que é uma escolha pessoal do presidente do partido, ainda não está fechada. Em cima da mesa está o nome de Vladimiro Feliz, que foi vice-presidente de Rui Rio no seu último mandato na Câmara do Porto.