Rússia confisca milhares de terrenos de estrangeiros na Crimeia, principalmente de ucranianos

A maioria das expropriações ocorreram nas regiões costeiras de Yalta, Kerch e Sudak, afetando especialmente cidadãos ucranianos. A Ucrânia já anunciou que vai recorrer aos tribunais internacionais.

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Putin marca presença em comemorações do sétimo aniversário da anexação da Crimeia VYACHESLAV PROKOFYEV / SPUTNIK / KREMLIN POOL / LUSA

O Governo russo iniciou o processo de confiscação de milhares de propriedades de estrangeiros na Crimeia, num gesto de desafio às autoridades da Ucrânia, uma vez que a maior parte dos afectados pela medida são cidadãos ucranianos.

A Crimeia foi anexada à Rússia durante o conflito com a Ucrânia em 2014, antes de a população ter decidido sobre a sua incorporação num referendo, considerado por Kiev e pela União Europeia como fraudulento e sem garantias. 

A expropriação teve origem num decreto do Presidente russo, Vladimir Putin, que proíbe por motivos de segurança que os estrangeiros detenham propriedades na maioria das regiões da Crimeia, segundo informa a agência Sputnik. 

A maior parte das expropriações ocorreram nas regiões costeiras de Yalta, Kerch e Sudak, afectando cidadãos de 55 nacionalidades, entre as quais alemã, australiana e israelita, mas especialmente de nacionalidade ucraniana.

O novo decreto de Putin sucede ao que foi emitido há um ano, que dava doze meses aos proprietários de 11500 parcelas de terreno para os trespassar para o Estado, entidades russas ou cidadãos russos. Os lesados lamentaram que a pandemia causada pelo coronavírus e as restrições de viajar tenham dificultado o trespasse privado dos terrenos.

A Ucrânia anunciou que levará a situação aos tribunais internacionais, para que sejam tomadas medidas legais.

O novo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou em Fevereiro que a sua Administração está a “trabalhar para responsabilizar a Rússia pelos abusos e agressões sobre a Ucrânia”.

Os G7 anunciaram na quarta-feira o compromisso de implementar sanções contra a Rússia pela anexação da península da Crimeia, ao mesmo que pretendem continuar a ajudar a Ucrânia na manutenção da independência do território