Ex-Presidente interina da Bolívia está em greve de fome na prisão

Organização de direitos humanos diz que Jeanine Áñez está deprimida e pede que seja transferida para o hospital. Antiga senadora é acusada de “sedição” e “terrorismo”.

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Jeanine Áñez foi detida no passado sábado David Mercado/Reuters
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Familiares e apoiantes da ex-Presidente estão reunidos à porta da prisão de Obrajes Martin Alipaz/EPA

A ex-Presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, detida preventivamente e indiciada pelos crimes de “sedição, conspiração e terrorismo”, no âmbito da crise pós-eleitoral de 2019, entrou em greve de fome e diz que “não quer lutar”.

Segundo a presidente da organização Assembleia de Direitos Humanos, Amparo Carvajal, que a visitou na prisão de mulheres de Obrajes, em La Paz – onde ingressou na passada segunda-feira –, Áñez estará mesmo deprimida.

“Está em greve de fome. Não quer lutar. Tem uma depressão muito forte, profunda. Ninguém a pode visitar – nem os seus familiares –, apenas o advogado”, relatou Carvajal, citada pelo jornal local Los Tiempos.

Apesar de todas os esforços que fez para a animar, a activista diz que Áñez repetiu, uma e outra vez: “Quero morrer. Viver para quê?”

Carvajal visitou o estabelecimento penitenciário com uma delegação da agência estatal Defensoría del Pueblo, na sequência da resposta negativa dada pelas autoridades prisionais em autorizar a hospitalização da ex-Presidente, que, segundo os familiares, tem problemas de hipertensão e depressão.

Jeanine Áñez foi detida no passado sábado para cumprir quatro meses de prisão preventiva, enquanto espera pelo julgamento sobre o “caso golpe de Estado”, relacionado com o que aconteceu depois das legislativas bolivianas de 2019 – quando se autoproclamou Presidente interina do país, na sequência de uma disputa sobre a transparência da contagem de votos nas eleições, vencidas por Evo Morales, mas contestadas pela oposição conservadora, que forçou o líder histórico socialista a fugir da Bolívia.

Carolina Ribera, filha de Áñez, permanece em “vigília” fora da prisão, à espera de ser autorizada a visitar a mãe, escreve o El Deber. Com ela estão alguns apoiantes da ex-Presidente, que exigem que seja transferida para um centro médico.

Ribera revelou que se vai reunir com representantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos para expor o caso da sua mãe. 

A oposição boliviana critica duramente a detenção de Áñez e de outros antigos membros do seu Governo, dizendo que se trata de uma “detenção política”. O Governo do Movimento para o Socialismo, reitera, porém, que os direitos da ex-Presidente estão a ser totalmente respeitados.

Guterres falou com Arce

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, falou ao telefone com o Presidente da Bolívia, o socialista Luis Arce – eleito em Outubro do ano passado –, e defendeu a necessidade de se respeitarem os direitos humanos e o processo judicial, “que constituem uma base fundamental para a consolidação da democracia”.

O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, disse ainda que ex-primeiro-ministro português se congratulou com as negociações em curso para estabelecer um gabinete permanente de direitos humanos da ONU na Bolívia.

Por último, os dois líderes falaram sobre o “compromisso contínuo da ONU em apoiar os esforços nacionais para consolidar a paz na Bolívia”.

Paralelamente, o Paraguai juntou-se à lista de países – que inclui o Brasil e os Estados Unidos – que pedem às autoridades bolivianas que respeitem o processo judicial, algo que própria ex-Presidente interina celebrou, através da sua conta de Twitter.

A Câmara dos Senadores do Paraguai aprovou uma resolução que “exorta as autoridades da Bolívia a respeitarem os direitos processuais, a presunção de inocência e os direitos dos acusados”.

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