O Dia do Pai acontece todos os dias

As interações entre pais e filhos por meio do brincar, do cuidar, do estar presente, na construção de uma relação de confiança e amor, facilita a comunicação e a cumplicidade.

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Vasco Mata

A vida em família é a primeira escola de aprendizagem das emoções e dos sentimentos, porque o desenvolvimento social e emocional das crianças depende das interações e do clima vivido no seu seio. É através das relações familiares de intimidade que aprendemos a pensar acerca do que sentimos a respeito de nós próprios e a lidar com a reação dos outros aos nossos sentimentos.

Por isso, todos os dias deveriam ser especiais e não apenas um dia por ano, para o “dia do pai”, ou duas vezes por ano, para “o dia do pai” e o “dia dos anos do pai”. Há uma oportunidade de construir a rotina de todos os dias, estar bem com o pai sempre é o essencial para o bem-estar dos filhos. E, depois, várias vezes por mês, pode fazer-se um programa especialmente surpreendente só entre o pai e o filho, num dia com um pai totalmente disponível, com um tempo de qualidade para cuidar, brincar, estar.

Os pais têm muitas formas de organizar esses dias especiais. Preparar um pequeno almoço delicioso, cozinhar o seu prato preferido, andar de bicicleta, fazer um desenho ou pintura, escalar uma montanha, passear no campo ou na praia, comer um gelado, ver um filme, jogar um jogo...

Os filhos imitam os pais desde o nascimento, mas os pais, muitas vezes, só se apercebem disso, mais tarde, quando os observam em momentos semelhantes que os filhos criaram para si.

A influência dos pais exerce-se mais por aquilo que fazem (os seus comportamentos), do que por aquilo que dizem (discurso).

As relações entre um pai e um filho dependem da maneira de ser de ambos, e há sempre necessidade, de parte a parte, de ajustar os seus comportamentos de modo a poderem criar-se referenciais comuns de relação, considerando que os filhos são diferentes em diferentes momentos do seu desenvolvimento e que as mudanças na maneira de ser são mais rápidas numas alturas do que outras, dependendo, por exemplo, de serem rapazes ou raparigas.

A qualidade da relação entre filhos e pais ajuda a que ambos se apre(e)ndam, observando-se, com carinho e atenção. Permite que conheçam as caraterísticas de ambos e as suas preferências (a comida, a série, o desporto e clube, e a música preferidos). Permite que se conheçam as necessidades de ambos, as suas emoções (o que os faz tristes, o que os faz contentes, o que os faz zangados…), conhecer os seus medos.

Existem muitas coisas simples sobre os pais e os filhos que ambos não sabem e que gostariam de saber. Os filhos adoram ouvir histórias da vida dos pais, de quando eram pequenos, de como se conheceram, de quando se casaram, de como escolheram o seu nome. Os jovens, às vezes, sentem que, apesar do tempo que estão com os pais, não os conhecem e sabem pouco sobre eles. É bom que os filhos tenham a oportunidade de perguntar aos pais todas as coisas que gostariam de saber sobre eles, em conversas informais, descontraídas, durante um passeio, numa viagem de carro. Os filhos precisam de conhecer melhor os pais para assim melhor se conhecerem. É muito importante que os filhos possam ter respostas sobre a vida dos seus pais, a sua infância (como eram os seus pais quando eram pequenos?), sobre o casamento (como se conheceram os pais?), sobre a escola (qual era a sua disciplina preferida dos pais?), sobre o trabalho (qual foi o primeiro emprego dos pais?), sobre o lazer (que países gostavam de conhecer?), sobre os valores (qual o melhor conselho que receberam?).

No dia a dia, e mesmo em circunstâncias difíceis como as atuais do confinamento, existem muitas formas de se expressar o amor entre pais e filhos, divertidas e criativas. A forma como cada filho escolhe para mimar o seu pai varia muito, em função da relação que tem com ele.

Construir uma relação de qualidade entre um filho e o seu pai implica o envolvimento mútuo e recíproco, construído por via de trocas afetivas e securizantes (de afeto e proteção), num ambiente harmonioso (um tempo de estar com qualidade), e de comunicação (com disponibilidade para compreender o outro).

Em relacionamentos duradouros, contínuos e atentos, os pais e os filhos aprendem a conhecer-se mais e melhor. As interações entre pais e filhos por meio do brincar, do cuidar, do estar presente, na construção de uma relação de confiança e amor, facilita a comunicação e a cumplicidade. A vida emocional dos filhos é mais consistente se os pais comunicarem frequentemente com eles e lhes transmitirem as suas convicções.