Saúde liderou pedidos de patentes em ano de pandemia

Em Portugal e no estrangeiro, a tecnologia médica foi a mais activa na protecção da propriedade intelectual. Ano de 2020 marcado por quebra generalizada.

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No ano em que o mundo criou vacinas em contra-relógio, o pedido de patentes caiu ligeiramente Reuters/MATTHIAS RIETSCHEL

O número de patentes pedidas por Portugal caiu 8,5% em 2020. Globalmente, foi um ano pior do que 2019, com 180.250 pedidos de patentes, menos 0,7%. A tecnologia médica foi a que apresentou mais pedidos, tanto a nível nacional como internacional, permitindo manter o cenário mundial relativamente estável e uma dinâmica nacional que, apesar da quebra em 2020, permitiu superar os resultados de 2018.

Depois de dois anos de crescimento acelerado (mais 47,3% em 2018 e mais 23,1% em 2019), as universidades e empresas portuguesas inverteram essa tendência, com 249 pedidos. Mesmo traduzindo um decréscimo face a 2019 – que tinha sido um ano recorde com 272 pedidos, dos quais 110 já foram aprovados – 2020 foi melhor do que 2018 (221 pedidos).

O balanço anual divulgado esta terça-feira pelo Instituto Europeu de Patentes (IEP) não significa que os portugueses foram menos inovadores. Num ano em que o mundo criou vacinas em contra-relógio e o país até entrou no lote das nações europeias fortemente inovadoras, houve ainda assim muitos constrangimentos à actividade, o que contribuiu para a quebra generalizada, partilhada por outros países, ainda que em graus diferentes, a começar pelos três que estão na liderança da tabela mundial (EUA, Alemanha e Japão).

“É com agrado que constato que apesar do decréscimo, o número de pedidos de patente com origem em Portugal se mantém relativamente elevado, mostrando que a inovação portuguesa é agora mais estável do que foi no passado,” afirma o Presidente do IEP, António Campinos.

Num cenário de queda generalizada, ao qual escapam sobretudo países asiáticos e alguns poucos europeus (França, Irlanda, Itália, Finlândia, Rússia e Eslovénia, entre outros), Portugal manteve a sua quota: continua a representar 0,1% dos pedidos registados em termos globais. E, tal como sucedeu em 2019, a inovação médica voltou a destacar-se.

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“Muitas das áreas tecnológicas que impulsionaram a inovação portuguesa no passado sofreram um decréscimo no número de pedidos de patente em 2020, incluindo as áreas de maquinaria especializada (-25% do que em 2019), tecnologia informática (-46,7%) e, em particular, mobiliário, jogos (-61,1%)”, resume o IEP.

Pelo contrário, houve “um forte investimento em inovação na área de cuidados de saúde": a área de tecnologia médica foi mesmo aquela em que se registou o maior número de pedidos portugueses em 2020. Cresceu 31,8%. A farmacêutica ficou em segundo lugar, com um aumento 44,4% e a área de biotecnologia fecha o pódio com um crescimento de 21,4%.

Por regiões e entidades, coube ao Norte e à Universidade do Minho (UM) o maior número de pedidos. O Norte, com uma quota de 56,2%, repete e até reforça a liderança de anos anteriores face às restantes regiões (Lisboa, em segundo, caiu 32,2%, para 16,1% de quota); e a UM destrona a empresa Novadelta, que tinha sido a autora do maior número de pedidos em 2018 e 2019.

A UM fez 20 pedidos de protecção, seguindo-se a A4TEC (Association for the Advancement of Tissue Engineering and Cell Based Technologies & Therapies) com 14, o INESC Porto (12), a Saronikos Trading and Services com sete e a Universidade de Évora, igualmente com sete pedidos.

Mantém-se a especificidade portuguesa, que contrasta com a realidade da maioria dos países europeus, em que no top cinco de requerentes portugueses figuram quatro laboratórios de investigação e instituições académicas. Lá fora, lideram sobretudo as empresas.

Portugal desce duas posições, de 32.º para 34.º na lista ordenada por número de pedidos, e mantém o 28.º lugar na lista ordenada do rácio de pedidos por milhão de habitantes, que é liderada pela Suíça.

A China manteve o quarto posto, e a França continua em quinto. Por entidades, a sul-coreana Samsung (3276 pedidos) ultrapassou em 2020 a chinesa Huawei (3113) no topo da lista das dez entidades com maior número de pedidos. A LG (Coreia do Sul) manteve-se em terceiro.

Cinco das dez empresas no topo desta lista são europeias, sendo a Ericsson a mais destacada, no quinto lugar, com 1634 pedidos. Nestas dez predominam as empresas tecnológicas, como a Qualcomm (semicondutores) ou a Sony, e conglomerados com forte presença em tecnologia diversa, como é o caso da BASF, Siemens, Bosch ou Philips.