Portugal pode vir a ter fábrica de baterias da Volkswagen

Grupo alemão planeia ter seis unidades de 40 GWh cada na Europa. Haverá uma na Suécia e outra na Alemanha. Portugal, França ou Espanha terão outra.

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Reuters/Matthias Rietschel

Portugal poderá vir a ter uma fábrica de baterias da Volkswagen (VW). A opção está em cima da mesa, mas o país não está sozinho nessa corrida. O grupo alemão quer ter seis fábricas destas, cada uma com uma capacidade produtiva anual de 40 GWh, havendo três países na corrida para a unidade pensada para a parte ocidental do continente: Portugal, Espanha e França.

A decisão vai depender das condições que o fabricante alemão tiver em cada um dos países, disse esta tarde Thomas Schmall, chief technology officer da VW e responsável máximo da empresa que, dentro do grupo, é responsável pelos componentes.

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Thomas Schmall, responsável de tecnologia do grupo germânico DR

Segundo o plano apresentado esta segunda-feira, duas das localizações já estão definidas. Trata-se de uma unidade na Suécia, já existente, que será aproveitada e actualizada para aumentar a sua capacidade. Deverá estar pronta em 2023.

A segunda está em construção na Alemanha, em Salzgitter, no estado federado da Baixa Saxónia, não muito longe da cidade-sede da VW, Wolfsburgo. Estará pronta em 2025. Em 2026, o grupo pretende ter uma terceira fábrica na parte ocidental da Europa, disse Schmall, acrescentando que esta ficará ou em Portugal, ou em Espanha ou em França.

Apesar de o presidente do grupo ter estado no início do mês em Espanha, para acompanhar o anúncio de uma parceria público-privada para ter uma fábrica de baterias em Espanha, a decisão continua em aberto.

Herbert Diess compareceu numa cerimónia na Catalunha, ao lado do rei de Espanha, Felipe VI, e do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. Os três presidiram ao anúncio dessa parceria, que envolverá o Governo de Madrid, a Seat (que pertence ao grupo germânico), a VW e a Iberdrola, bem como outras empresas espanholas.

Porém, trata-se de uma intenção de investimento: Madrid quer meter este projecto no financiamento do seu Plano de Recuperação e Resiliência, o que ainda não está garantido.

Neste contexto, aquele anúncio não é incompatível com a decisão, que a VW ainda diz agora estar em aberto, sobre a terceira unidade, como garantiu hoje Thomas Schmall. “Tudo vai depender das condições que encontrarmos em cada uma das opções”, disse.

“As duas primeiras fábricas [Suécia e Alemanha] encaixam perfeitamente na nossa estratégia financeira até 2025. O que vai acontecer a seguir continua sob intensa análise. Temos metas financeiras, que queremos respeitar, mas se for crítico e necessário aumentar o nosso envolvimento financeiro na produção de baterias, também seremos capazes de rever os números. Os próximos meses serão determinantes”, frisou.

“Precisamos de um círculo, com a VW, os governos e parceiros externos. Não podemos fazer tudo sozinho”, acrescentou. 

O construtor automóvel alemão, um dos maiores do mundo, planeia também uma fábrica de baterias no leste da Europa para 2027. “Nesta altura, ainda não sabemos se será na República Checa, na Polónia ou na Eslováquia”, disse o mesmo responsável.

“Estamos a analisar [as hipóteses] com os governos, com parceiros, com a Comissão Europeia para identificar onde ficará melhor esta quarta fábrica.”

O mapa das chamadas gigafactories da VW, revelado durante uma apresentação com transmissão online da estratégia das baterias, indica que haverá mais duas fábricas até 2039, mas sem adiantar a localização.

Em 2020, a VW foi o segundo maior vendedor de carros, atrás da Toyota. Para o futuro, pretende tornar-se o líder na mobilidade eléctrica. Para tal, apostará numa bateria prismática para 80% dos seus modelos, uma solução única para a maior parte da gama de modo a poupar nos custos. “Em média, vamos baixar o custo da bateria para muito menos de 100 euros por quilowatt hora”, explicitou Thomas Schmall.

O custo médio actual na indústria ronda os 93 euros, segundo dados da consultora Benchmark Mineral Intelligence, citados pela Reuters 

A infra-estrutura continua a ser um dos problemas que complicam ganhos de escala na mobilidade eléctrica, mas, para a VW, o caminho é irreversível. E, por isso, promete quintuplicar a rede, até 2025, para 18 mil postos de carregamento rápido, num investimento com diferentes parceiros europeus em vários países. Neste caso, Portugal ainda não consta do mapa.

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Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido serão apostas na expansão, com parceiros, da rede de carregamentos rápidos da VW DR

A aposta numa bateria única para a maior parte dos carros VW permitirá reduzir o custo de produção em cerca de 50%. Metade desta poupança é garantida no design. Mas também na matéria-prima será possível reduzir custos, com o grupo a apostar no ciclo completo até à reciclagem, que permitirá recuperar alguns componentes para reutilização.