Itália volta a mais restrições e impõe confinamento total na Páscoa

Lojas, restaurantes e escolas voltam a fechar já na segunda-feira em mais de metade das regiões do país.

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Na cidade de Roma, muitos aproveitaram o último fim-de-semana antes das novas restrições MASSIMO PERCOSSI/EPA

Um notório aumento de casos de infecção pelo vírus que provoca a covid-19 levou a Itália a impor mais restrições para tentar travar a sua progressão. A partir já de segunda-feira vão encerrar de novo não só lojas e restaurantes, mas também escolas, na maior parte do país.

Já durante a Páscoa, o confinamento que foi decretado vai vigorar mesmo em todo o território nos dias 3 a 5 de Abril.

Itália foi o primeiro país ocidental a ser duramente afectado pela pandemia, com fases muito difíceis mesmo tendo sido atingido sobretudo o Norte rico. Havia profissionais de saúde exaustos e a dada altura, como não havia capacidade para tratar todos os doentes, chegaram a ter de escolher quem recebia os cuidados necessários para ter uma hipótese de sobreviver.

Em Novembro começou uma segunda vaga que chegou a zonas mais pobres, e havia relatos de pessoas a receber cuidados no parque de estacionamento de um hospital em Nápoles, por exemplo.

Na quinta-feira, registaram-se 25 mil novos casos de infecção – o número mais alto desde Novembro.

O primeiro-ministro, Mario Draghi, avisou agora de uma “nova vaga”: os casos subiram quase 15% esta semana em comparação com a semana anterior. As novas variantes, de transmissão mais fácil, estão a ter um papel neste aumento, dizem vários responsáveis de saúde.

Desde o início da pandemia, morreram mais de 100 mil pessoas em Itália, o segundo maior número a seguir ao Reino Unido na Europa, e o sétimo maior de tudo o mundo, segundo a agência Reuters.

O país tem seguido um sistema de quatro níveis de restrições de acordo com dados epidemiológicos nas 20 regiões. Três regiões estavam já no nível mais estrito, o vermelho, e na sexta-feira mais sete, incluindo Lombardia (Milão) e Lácio (Roma), que implica o encerramento de todos os serviços não essenciais, de escolas, e possibilidade de sair de casa apenas por motivos de trabalho, saúde ou emergências.

O primeiro-ministro disse estar consciente das dificuldades do confinamento: “Tenho noção de que as restrições vão ter consequências na educação das nossas crianças, na economia, e na saúde mental de toda a gente”, disse Draghi. “Mas são necessárias para evitar que a situação piore de modo a que sejam precisas medidas ainda mais estritas.”

Da Lombardia, o chefe do governo regional, Attilo Fontana, declarava simplesmente, citado pela Reuters: “Espero que este seja o último sacrifício que pedimos aos nossos cidadãos.”

Notícia corrigida a 13.3.21: o número de novos casos por dia é de 25 mil