Vacina da AstraZeneca vai ser recomendada também para maiores de 65 anos

Mais de 7% da população já foi vacinada com a primeira dose das vacinas contra a covid-19. O ritmo da vacinação desacelerou na última semana, mas quase metade dos idosos a partir dos 80 anos já receberam a primeira dose.

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Daniel Rocha

A vacina da AstraZeneca-Universidade de Oxford contra a covid-19 vai passar em breve a ser administrada em Portugal também a maiores de 65 anos, à semelhança do que foi decidido em alguns países da União Europeia e seguindo a recomendação da Ordem dos Médicos e de vários especialistas neste sentido. Aguarda-se a qualquer momento o anúncio desta decisão pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), que esta terça-feira divulgou o quarto relatório semanal sobre a operação de vacinação em Portugal Continental, o qual indica que quase metade (47%) dos idosos com 80 ou mais já receberam a primeira dose e 10% já têm a vacinação completa.

Portugal aproxima-se, assim, da meta traçada pela Comissão Europeia para o final de Março - que é ter pelo menos 80% da população mais idosa inoculada com a primeira dose. Desde que a operação começou, em 27 de Dezembro passado, e até ao último domingo, o país recebeu 1.186.389 doses das três vacinas disponíveis (Pfizer-BioNtech, Moderna e AstraZeneca-Universidade de Oxford) e 1.078.103 já tinham sido distribuídas pelos vários centros de vacinação.

A maior parte, mais de 80%, são doses da vacina da Pfizer, o nosso principal fornecedor. Da AstraZeneca recebemos até à data cerca de 260 mil doses e da Moderna 84 mil, segundo os dados mais recentes reportados ao Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC na sigla em inglês).

Portugal prepara-se agora para seguir o exemplo de outros países da União Europeia que nos últimos dias têm vindo a alterar a recomendação sobre a vacina da AstraZeneca, tendo em conta os dados de estudos divulgados no Reino Unido, onde esta está a ser usada em massa, e depois de os peritos da comissão técnica de vacinação contra a covid-19 e de outros especialistas, além do gabinete de crise da covid-19 da Ordem dos Médicos, terem proposto a alteração da recomendação, argumentando que os dados que chegam do Reino Unido são “suficientemente robustos”

Depois da França, na terça-feira da semana passada, ter passado a recomendar esta vacina acima dos 65 anos, na quinta-feira foi a vez da Alemanha, da Bélgica e da Suécia darem luz verde à utilização também nos idosos. Esta semana a Itália seguiu o mesmo caminho.

Inicialmente, estes países optaram por não recomendar a utilização da vacina da AstraZeneca a maiores de 65 anos por ser escasso o número de voluntários acima dessa idade incluídos nos ensaios clínicos. “Até novos dados estarem disponíveis”, esta vacina “deve ser preferencialmente utilizada para pessoas com 65 ou menos anos de idade”, refere a norma da DGS que deverá ser actualizada em breve. Na norma sublinha-se, porém, que “em nenhuma situação deve a vacinação de uma pessoa com 65 ou mais anos de idade deve ser atrasada se só [esta] estiver disponível”.

O problema é que esta estratégia tem implicado um atraso da vacinação das pessoas entre os 65 e os 79 anos com doenças de maior risco associado a covid-19, que são um grupo prioritário nesta primeira fase, tal como os idosos a partir dos 80 anos. Para este último grupo e de forma a poder-se atingir a meta recomendada pela União Europeia, têm estado a ser canalizadas as doses das vacinas da Pfizer e da Moderna, sendo as da AstraZeneca utilizadas preferencialmente nos doentes de maior risco entre os 50 e os 65 anos.

Por isso é que o grupo etário entre os 65 e os 79 anos continua a ser o segundo com a menor cobertura percentual da vacinação contra a covid-19, apenas 4% com a primeira dose e 2%, com as duas, a seguir ao grupo entre os 18 e os 24 anos, como indica o último relatório da DGS. No grupo entre os 50 e os 64 anos, 9% já tomou a primeira dose e 3% já tem a vacinação completa.

O ritmo da vacinação desacelerou na última semana, em comparação com a semana anterior, uma vez que foram administradas mais cerca de 160 mil vacinas (entre primeiras e segundas doses), menos 24 mil que na semana anterior.​

Ainda assim, em todo o Continente, e até domingo, 293.245 pessoas já tinham recebido as duas doses das vacinas, mais 26.059 do que na semana passada. Nos últimos sete dias, foram vacinadas com a primeira dose mais 133.974 pessoas. No total, mais de 7% da população (739.662 pessoas) recebeu já a primeira dose das vacinas desde que a operação começo.

Por regiões, é no Alentejo e no Centro que o processo está a avançar mais depressa. No Alentejo, 12% da população já recebeu a primeira dose (10%, no Centro) e 5% já tem a vacinação completa (4%, no Centro). Lisboa e Vale do Tejo foi a região que mais doses administrou na última semana (mais 54.935), mas é aquela em que a percentagem da população inoculada com a primeira dose é menor (6%, contra 7% no Norte e no Algarve).