PS, PSD, CDS e BE elogiam discurso de Marcelo, PCP, PAN, IL e Chega apontam omissões

Líder da bancada do PSD considera que o partido está a “construir a alternativa” defendida pelo Presidente da República,

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Discurso na tomada de posse só recebeu elogios do PSD, do CDS e Bloco daniel rocha

O discurso de cerca de 20 minutos do Presidente da República só foi aplaudido na sala das sessões pelos deputados do PS, PSD e CDS, mas fora do hemiciclo o Bloco também elogiou as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa. Já PCP, PEV e os deputados únicos da Iniciativa Liberal e do Chega apontaram “omissões” na primeira intervenção deste segundo mandato presidencial.

Depois da cerimónia da tomada de posse, o primeiro-ministro, António Costa, optou por fazer um curto comentário para dizer que o país está perante uma “agenda clara de cooperação institucional e de solidariedade estratégica”, palavras que seriam também sublinhadas pela líder da bancada do PS, Ana Catarina Mendes. O discurso deu a António Costa “ânimo de esperança e confiança para vencer esta crise, virar esta página e recuperar o país”.

Já Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, reteve como a “parte mais importante” da cerimónia o juramento de “cumprir, defender e fazer respeitar a Constituição” e considerou que é na lei fundamental que se podem encontrar respostas para a crise económica e social. Mas o líder comunista também apontou “omissões” ao discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, por ter falado em “descentralização”, e não em “regionalização”, e por ter falado sobre as “consequências sociais” da crise, sem se referir à “valorização” do trabalho e dos salários.

Foi essa omissão que o deputado do PEV José Luís Ferreira gostaria de ver transformada em acção do Presidente da República no segundo mandato. O partido espera “uma intervenção mais activa” do chefe de Estado “ao nível da denúncia dos problemas sociais” e dos problemas que “se agravaram”. Foi também uma lacuna que o líder do PAN assinalou. André Silva registou que Marcelo Rebelo de Sousa não se referiu ao combate à corrupção no seu discurso. 

Do lado daqueles que tiveram uma posição mais crítica, a IL salientou a distância que “parece continuar a haver” entre “aquilo que é dito e depois aquilo que é feito” pelo Presidente da República. Como exemplo, João Cotrim Figueiredo, líder da IL apontou a referência à “necessidade de haver alternativas democráticas ao poder em funções”, alertando que é preciso uma “prática política que consiga fazer com que isso, de facto, se verifique”. O deputado reconheceu, no entanto, o discurso como “ecuménico, abrangente e correcto do ponto de vista dos princípios”.

Mais solidário com o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa esteve o PSD, que o apoiou como candidato na reeleição. Foi o líder parlamentar Adão Silva que, aos jornalistas, sublinhou a “dimensão social” da intervenção, referindo que o Presidente falou em “pandemias”. Depois de questionado sobre se o PSD está disponível para ser a alternativa que o Presidente defendeu, Adão Silva disse que o partido está empenhado nessa tarefa. “O PSD tem estado a criar esta alternativa, afirmando-se no processo das escolhas autárquicas e no processo que levará a eleições legislativas”, disse.

Mais elogios só mesmo da parte do líder do CDS, que também apoiou a recndidatura. Francisco Rodrigues dos Santos considerou que Marcelo fez um discurso “muito positivo, lúcido e oportuno, tendo em conta a realidade do país”. “É crucial que Portugal saiba amar-se a si próprio e tenha um olhar para o futuro com confiança, sem deixar ninguém para trás”, disse, destacando o “sentido patriótico” das palavras de Marcelo.

À direita, o líder do Chega, André Ventura, mostrou dúvidas sobre como será o segundo mandato, nomeadamente sobre “se continuará a dar a mão ou não a António Costa”. Mas foi o discurso de Ferro Rodrigues que André Ventura lamentou, por “deixar uma série de insinuações mais ou menos veladas” ao Chega. 

Se os bloquistas não aplaudiram Marcelo Rebelo de Sousa no hemiciclo, a coordenadora do BE não deixou de referir o discurso como “importante”, “interessante” e “bem pensado para este dia”. Catarina Martins disse acompanhar o Presidente em três pontos fundamentais: “na necessidade de Portugal ser uma democracia que vive bem e respeita a diversidade” da sua população; na questão dos “investimentos estruturais”; e na “absoluta responsabilidade política na resposta às maiores vítimas da crise”.