Peritos prevêem 120 doentes em cuidados intensivos no fim de Março. Vacinação já se nota nos internamentos dos mais idosos

Portugal continua a ter o índice de transmissibilidade mais baixo da Europa. As mais recentes projecções, apresentadas na reunião no Infarmed, prevêem que no final de Março estejam 120 doentes internados em UCI. Este sábado, estavam 354 doentes nesta situação. Incidência da covid-19 continua em decréscimo em termos nacionais e em todas as faixas etárias.

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Hospital de São João, Porto Manuel Roberto

A descida do número de internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI) foi superior à prevista pelos especialistas, admitiu Baltazar Nunes, epidemiologista do Instituto Ricardo Jorge, na reunião que juntou peritos e políticos no Infarmed, em Lisboa, esta segunda-feira.

As mais recentes projecções, apresentadas por Baltazar Nunes, prevêem que no final de Março estejam 120 doentes internados em UCI. No sábado, estavam 354 doentes nesta situação, com o especialista a prever que a meio do presente mês esse número chegue aos 240.

“As nossas projecções falharam por excesso, o que é bom. Actualmente, a meio de Março, projecta-se uma ocupação de cuidados intensivos de 240 doentes e, no final de Março, projecta-se uma ocupação de 120 doentes internados em cuidados intensivos”, revelou Baltazar Nunes. 

André Peralta Santos, da Direcção-Geral da Saúde (DGS), afirmou que a vacinação já está a ter impacto no número de internamentos das pessoas com 80 ou mais anos, bem como na mortalidade das faixas etárias mais avançadas.

“O internamento em enfermaria é em maior número no grupo acima dos 80 anos, seguido dos 70-79, 60-69, e vai descendo à medida que a idade diminui. Quando observamos os internados em cuidados intensivos, o padrão é diferente. O grupo etário com maior número de casos é o dos 60 aos 69. Isto é particularmente relevante à medida que vamos vacinando a população acima dos 80 anos e terá grande impacto na mortalidade. Para termos impacto na redução da utilização de cuidados intensivos, temos de esperar que a vacinação tenha grande expressão nos grupos de mais de 50 anos”, disse Peralta Santos. 

Portugal tem o R mais baixo da Europa – mas tem crescido

Portugal tem um índice de transmissibilidade (R) de 0,74, o mais baixo em toda a Europa, revelou Baltazar Nunes na reunião de especialistas no Infarmed.

Apesar de os números de novos casos se terem reduzido nos últimos dias, o perito alerta para uma desaceleração desde o dia 10 de Fevereiro, em que a incidência da doença atingiu o valor mais baixo. Este indicador tem sofrido uma subida ligeira, aponta. 

Continuamos a apresentar o R mais baixo da Europa e com uma incidência já perto dos 120 [novos casos] por 100 mil habitantes”, clarificou. “O cenário actualmente é de descida do número de novos casos. O valor do R actualmente é de 0,74 para a média dos últimos cinco dias. A nível das regiões, observamos que se mantém abaixo de 1 em todo o continente, mas superior a 1 nas regiões autónomas.”

Baltazar Nunes deixou claro que um pouco por toda a Europa os países têm aumentado ligeiramente a incidência. “Há um aumento do valor do R na maior parte dos países e também da incidência. Uma parte da Europa Central e de Leste apresenta-se em contraciclo”, reitera.

André Peralta Santos, da Direcção-Geral da Saúde (DGS), afirmou que nas últimas semanas “houve uma manutenção da tendência de descida” da incidência da covid-19 e avançou que a incidência de Portugal até este domingo era de 141 casos por 100 mil habitantes.

“Quando vemos a dispersão geográfica da incidência, observamos que há uma melhoria, de acordo com os patamares do ECDC, da incidência a nível nacional, com grande parte do território já com incidências inferiores a 120 casos por 100 mil habitantes. Continua a região de Lisboa e Vale do Tejo, algumas partes da região Centro e assim como a Alentejo, com incidências superiores a 120 casos por 100 mil habitantes”, disse.

André Peralta Santos disse que, em termos nacionais, o país continua com uma tendência decrescente dos contágios, apesar de alguns municípios terem, esporadicamente, “variações positivas da incidência”. O especialista disse também que a incidência da covid-19 continua em queda em todos os grupos etários. “Quando observamos as incidências nos grupos etários mais vulneráveis, observamos também que continuam o mesmo padrão, com o grupo acima dos 80 anos com uma incidência mais alta e o grupo dos 60-70 e 70-80 a continuar a ter uma incidência menor. São dos grupos mais protegidos”, referiu o perito da DGS.