D. Manuel Clemente pede que se cuide mais do planeta Terra, “a casa comum”

Numa conversa, de olhos postos no futuro - O Mundo de Amanhã - do ciclo de conferências subordinado ao 31º aniversário do PÚBLICO, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, falou sobre os reflexos da espiritualidade humana que as lições do presente permitem antever para o futuro.

A espiritualidade foi o tema de uma das conversas realizadas, esta sexta-feira, no âmbito do ciclo de conferências O Mundo de Amanhã, inserida no 31º aniversário do PÚBLICO. D. Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa, reflectiu sobre a espiritualidade em período pandémico e fez um apelo para que se cuide mais do planeta, a “casa comum”. 

Para tratar de um tema vasto como a relação entre a pandemia e a espiritualidade, D. Manuel Clemente trouxe como mote a carta encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, muito direccionada para os problemas ecológicos do mundo, referindo o “cuidado da casa comum.”

Introduzindo a espiritualidade como “aquilo que nos impele”, o vencedor do Prémio Pessoa, em 2009, iniciou a conversa referindo alguns pontos relevantes do documento escrito pelo Papa Francisco, em 2015.

Citando algumas passagens da carta Laudato Si’, o Cardeal Patriarca de Lisboa destacou a importância de se “incrementar a consciência de uma origem comum”, acrescentando que “o planeta é a nossa casa.”

O Cardeal, que foi durante muitos anos Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, referiu que “um antídoto” para o consumismo assenta nas “capacidades de estar e usufruir”, no cultivo da relação com os outros. Afirmando, ainda, que quem desenvolve estas competências e a “capacidade de contemplar”, em época de confinamento, consegue mais facilmente encontrar um equilíbrio entre o estado físico-psíquico e o espiritual.

“A paz interior das pessoas tem muita a ver com o cuidado da ecologia e do bem comum”, citando o Papa Francisco, o Cardeal Patriarca de Lisboa apontou para a relevância de um equilíbrio entre o ambiente exterior e o sentido interior, ligado à “profundidade da vida.”

Conduzindo e aprofundando a conversa ao problema pandémico actual, que tal como a espiritualidade “não tem fronteiras”, D. Manuel Clemente reflectiu acerca da movimentação eficaz das vacinas a nível europeu, concluindo que, até agora, a União Europeia “se tem comportado muito bem.”

Quando questionado acerca de um cenário pós-pandemia, o Cardeal Patriarca de Lisboa considerou que em primeiro lugar o foco está na reabilitação da Economia e a “sobrevivência económica de muitas pessoas e famílias.” Denotando que, assim que o “problema sanitário” melhorar, o essencial é “atender imediatamente ao trabalho.”

D. Manuel Clemente mantém o optimismo em relação ao futuro, referindo que a “espontaneidade social em termos filantrópicos e solidários” e a sua “enormíssima actividade apesar das limitações do confinamento”, o levam a crer que “com tudo isto vamos ter futuro, porque o futuro somos nós.”

“Quando estamos perante questões de sobrevivência pensamos duas vezes”, disse, julgando que, em relação ao combate à covid-19, o sistema de saúde português se tem “mostrado muito resiliente, tanto o público como o privado.”

E sendo, também, a religião uma resposta à incerteza do mundo, relativamente à actual aproximação de muitas pessoas à espiritualidade, o Cardeal revelou que “o desenvolvimento interior”, que “também passa pela religião para quem é crente”, é um caminho para “a paz, sossego e esperança.” 

Terminando com uma nota de esperança, por parte de D. Manuel Clemente, o evento que se realizou às 18h30 desta sexta-feira, enquadrado na celebração do aniversário do jornal, teve transmissão aberta no YouTube, mas também no site e no Facebook do PÚBLICO.