Como resolver o 31 do sedentarismo? Pôr todos a mexer numa cidade preparada para isso

Há que criar condições para que todos se ponham a mexer, desde uma agenda política até à adaptação das cidades a práticas mais desportivas e saudáveis.

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Carlos Neto, especialista em desenvolvimento motor Miguel Manso

Carlos Neto, especialista em desenvolvimento motor, defende que o sedentarismo é um problema que já assolava a sociedade antes da pandemia. Porém, o confinamento veio piorar uma situação que já se afigurava difícil. A regressão da actividade física é notória em todas as idades e as consequências podem ser uma “hecatombe morfológica, muscular, mental e emocional”. Contudo, o especialista em desenvolvimento motor mantém algum optimismo e aponta cinco medidas que podem ajudar a “resolver este 31”.

1. “Abrir o Desporto”

Na opinião do especialista, é preciso haver clareza, vontade e coragem para estabelecer uma agenda política para a actividade física na comunidade nacional. “Tem de haver um plano bem construído e estruturado para o pós-confinamento”, no sentido de reabrir o desporto para todas as faixas etárias, salvaguardando a saúde física e tendo todos os cuidados necessários do ponto de vista sanitário. O professor defende ainda que este plano deve abranger não só as actividades físicas individuais mas também as colectivas. Assim, estar-se-á a contribuir para a prática desportiva mas também para a socialização dos praticantes.

2. “Consolidar a abertura definitiva de espaços verdes, de recreio e de jogo”

Muitos destes espaços mantiveram-se fechados, de modo a assegurar a saúde pública durante os confinamentos. Porém, Carlos Neto considera estes espaços perfeitos para a actividade física de pais e filhos e sublinha que estes locais são essenciais para que “as crianças e as suas famílias tenham acesso ao espaço exterior.”

3. “Criar uma agenda de apoio parental, com uma visão ecológica e sustentável”

Para o professor da Faculdade de Motricidade Humana, “não vivemos só uma crise de saúde, ou uma crise de sedentarismo, vivemos uma crise climática”. Neste sentido, Carlos Neto afirma ser essencial criar uma agenda de apoio aos pais, para que eduquem as suas crianças em contacto com a Natureza. Assim, não só as crianças, como os próprios pais, podem vir a praticar actividade física, explorando aquilo que os rodeia e ganhando uma consciência ambiental fundamental para o futuro do planeta.

4. “Ter uma política de melhoramento das cidades”

As cidades devem estar preparadas para a actividade física. “As ruas devem ser caminháveis e permitir uma melhor mobilidade”, sublinha Carlos Neto. Na visão do especialista, deve “devolver-se a rua às crianças e jovens” e assim, permitir que as cidades possam responder às necessidades da população e incentivar a prática de actividade física ao ar livre.

5. “Construir um pacto de sustentabilidade entre famílias activas, escolas activas e comunidades activas”

Para o professor a principal prioridade passa por mudar a “harmonização entre o tempo em que as crianças estão na escola, os pais estão a trabalhar e o tempo disponível para estar em família”. Assim, seria possível alimentar o tempo em família para que houvesse mais possibilidades para que as famílias cultivassem a actividade física no seu quotidiano.