Eu, burguês do teletrabalho, me confesso

Susana Peralta foi atacada, da esquerda à direita, por uma sugestão que era, em primeiro lugar, um gesto de generosidade e de preocupação social, mas que uma sociedade eternamente desconfiada não acompanha.

Quando olhamos para a relação dos portugueses com Portugal, temos o pior de dois mundos. Somos um país com imensa gente dependente do Estado e somos um país com imensa gente desconfiada do Estado. Boa parte das pessoas, acumula. Ou seja, é ao mesmo tempo muito dependente – porque recebe do Estado o salário ou a reforma, ou porque é ele que assegura a sua saúde –, e também muito desconfiada – porque desconsidera a classe política, porque desvaloriza os deveres de cidadania, ou porque a sua solidariedade se limita ao círculo social mais próximo.