Ministério Público abre inquérito sobre “cursos” de criptomoedas por youtubers

Inquérito corre no DIAP de Lisboa. A PJ está a analisar uma petição pública que pede que se investiguem “esquemas aliciantes” de compra e venda de criptomoedas criados por influenciadores digitais e partilhados no YouTube.

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Reuters/Dado Ruvic

O Ministério Público abriu um inquérito, dirigido pelo DIAP de Lisboa, acerca dos vídeos partilhados no YouTube por influenciadores digitais portugueses acerca de criptomoedas e apostas desportivas.

“Confirma-se a recepção de uma participação relacionada com a matéria. Esta participação deu origem a um inquérito, o qual é dirigido pelo DIAP de Lisboa”, respondeu ao PÚBLICO a Procuradoria-Geral da República, esta quinta-feira.

Na quarta-feira foi noticiado que a Polícia Judiciária (PJ) está a analisar vídeos partilhados no YouTube com dicas financeiras sobre criptomoedas (como as bitcoins) e apostas desportivas que foram partilhadas por influenciadores digitais portugueses. O objectivo é perceber se é preciso abrir uma investigação de burla. A informação foi avançada pelo Expresso na tarde desta quarta-feira, depois de ter surgido uma petição pública a apelar à investigação de “esquemas aliciantes” sobre como enriquecer, nomeadamente, através de criptomoedas.

“Estes burlões usam os mercados financeiros como ilusão para o enriquecimento rápido para enganar as pessoas burladas”, lê-se na petição que, às 17h de quarta-feira, já tinha sido assinada por cerca de 9500 pessoas. Diogo Figueiras, mais conhecido como Windoh, é um dos youtubers mencionados.

Por ora, as autoridades estão a avaliar os vídeos para perceber melhor o caso. Em declarações ao Expresso, fonte da PJ reforça que a “compra de bitcoins não é considerado por si só um crime”. “Estamos a tentar perceber melhor o caso”, notou fonte judicial. 

No caso de Windoh, o youtuber utilizou o canal para divulgar o seu curso de criptomoedas que ronda os 400 euros. Segundo o Observador, o vídeo, entretanto apagado, tinha como objectivo explicar onde é que o influenciador investia o seu dinheiro. O português optou por remover o vídeo depois de o curso ter sido pirateado por um hacker a acusar os vídeos de serem cópia da Wikipédia e servirem para burlar os fãs. O youtuber nega as críticas e já fez queixa da invasão à PJ. 

No final de Fevereiro, o Banco de Portugal (BdP) alertou os consumidores para os riscos associados aos activos virtuais, como as bitcoin e outras criptomoedas, que estão normalmente sujeitos a uma “enorme volatilidade” e “não são garantidos” por qualquer autoridade nacional ou europeia. 

 “Em caso de desvalorização parcial ou total dos activos virtuais, não existe um fundo que cubra eventuais perdas dos seus utilizadores, os quais terão de suportar todo o risco associado às operações com estes instrumentos”, lê-se no alerta.

Notícia actualizada e corrigida às 12h30 de quinta-feira: o Ministério Público vai investigar o caso. O curso promovido por Windoh no YouTube ronda os 400 euros.