O Festival Política tem quatro bolsas de criação para atribuir a artistas, criadores e activistas

As candidaturas estão abertas até ao dia 18 de Março. Os projectos apresentados deve ter como tema central as fronteiras (físicas ou psicológicas). Cada bolsa tem o valor de 500 euros. O Festival Política decorrerá em Lisboa (22 a 25 de Abril) e em Braga (6 a 8 de Maio).

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Ainda não se sabe se a edição deste ano do Festival Política se passará no plano virtual ou se, por outro lado, decorrerá com a normalidade permitida num modelo presencial. Contudo, já se conhecem datas: entre 22 e 25 de Abril, há festival em Lisboa; Braga recebe-o entre os dias 6 e o 8 de Maio. Também já se conhece o tema do certame, que coloca as fronteiras (físicas e psicológicas) no centro do debate. E, com essas certezas, uma outra: o Festival Política tem quatro bolsas (duas para cada cidade), no valor de 500 euros cada, para atribuir “aos criadores, artistas e activistas”. As candidaturas estão abertas até ao dia 18 de Março e os projectos apresentados podem encaixar-se em diversos campos — da literatura à música e às artes performativas, passando pelas artes plásticas, vídeo ou, até mesmo, propostas de workshops.

Para além da condição de os projectos a apresentar terem de obedecer ao tema do festival, as “pessoas singulares” que se candidatarem devem ter entre 18 e 30 anos e serem “residentes nos distritos de Lisboa ou Braga”. Os mesmos requisitos estendem-se aos “grupos informais de jovens” que queiram participar. As “associações juvenis inscritas no Registo Nacional do Associativismo Jovem (RNAJ) sediadas” num dos dois distritos também podem candidatar-se às bolsas de criação. Atenção: “as propostas seleccionadas têm de ser passíveis de apresentação apenas em suporte digital”, já que existe a possibilidade de o festival decorrer online, lê-se no regulamento.

No mesmo documento, encontram-se as instruções para o que o envio das candidaturas corra da melhor forma possível. Deverão ser enviados documentos como “curriculum vitae e/ou portefólio”, bem como um “projecto com designação da obra, indicação das necessidades de produção e outros custos, acompanhado de uma amostra do trabalho a desenvolver”. A indicação da cidade à qual a proposta concorre também deve ser clara — e não podem ser esquecidos os dados de identificação pessoal, como o “nome, data de nascimento, morada, naturalidade e contactos electrónico e telefónico”. Tudo isto deve ser enviado para submissions.politica@gmail.com.

Ao P3, Rui Oliveira Marques, co-director do festival, deixa alguns conselhos para quem tiver interesse em concorrer às bolsas de criação: “No nosso caso, privilegiamos muito a mensagem que se pretende passar, a temática a abordar. O Festival Política quer agitar. Por isso, quanto mais provocadora e ousada a proposta, mais vai chamar a atenção.” Isto porque a organização, para além de procurar artistas e criadores, também olha para os activistas e “as pessoas que estão no terreno a lutar contra as desigualdades e pelos direitos humanos”.

Este ano, a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia justificou a escolha do tema “fronteiras” para a edição deste ano do festival multidisciplinar. “Entretanto, o mundo foi fazendo este percurso”, diz o co-director, referindo-se à pandemia, e a organização teve de “reequacionar” a temática, que acompanha várias esferas geográficas. “Estamos a pensar a programação sobre as fronteiras da nossa casa, impostas pelo confinamento, mas também as fronteiras das cidades de Lisboa e Braga”, começa por explicar Rui Oliveira Marques. Depois das cidades, o Festival Política também vai abordar “as fronteiras de Portugal, tendo Espanha como país-foco” nesse sentido. E, por fim, “as fronteiras políticas, no sentido mais lato”, tocando-se assuntos como “a política e migrações”, por exemplo. 

O Festival Política quer “chamar os jovens, e não só, à participação política” e fazer com que “as pessoas vão votar”. O desafio, refere, “é criar formas inovadoras de conseguir chegar a um público que, à partida, não teria interesse em participar”. “As pessoas, no seu quotidiano, também são protagonistas políticos e têm de se envolver nas discussões do país. E devem estar atentas às discriminações e à xenofobia. É dizer às pessoas que a política não é distante de nós”, considera o co-director do festival. E é por essa razão que a organização aposta “nas manifestações artísticas”, onde se incluem “espectáculos de humor”, que podem “alertar e ajudar a criar esta consciência política”.